A chanceler Angela Merkel anunciou um programa para reduzir as emissões de dióxido de carbono na Alemanha, que é o país, na Europa, que mais queima carvão para gerar energia – de longe, a forma mais poluente de gerar electricidade. À boa maneira germânica, Merkel garantiu que o plano reduz as emissões, mas sem beliscar as finanças do país, pois prevê um certo equilíbrio entre os novos incentivos a conceder à aquisição de veículos e o encaixe em impostos devido ao aumento previsto para a gasolina e o gasóleo.

Merkel anunciou um programa de 54 mil milhões de euros que contempla incentivos para veículos eléctricos, os quais irão ser aumentados a partir de 2023, desde que os modelos em causa custem abaixo da fasquia dos 40.000€.

Porém, como a Alemanha não quer desequilibrar as suas contas internas, vai acompanhar as ajudas à aquisição de eléctricos com a penalização dos combustíveis derivados de petróleo, ou seja, a gasolina e o gasóleo vão aumentar para reforçar os cofres do Estado. De acordo com o Governo alemão, encher o depósito de carros com motor a combustão custará mais 1 euro do que até aqui. A partir de 2026, o incremento passará para entre 4€ e 6€ .

A Alemanha vai ainda implementar taxas para quem use o avião, reduzindo os impostos que incidem sobre os bilhetes dos clientes dos comboios, fomentando a sua utilização. Paralelamente, as casas que instalem novos sistemas de aquecimento menos poluentes e janelas mais isolantes beneficiarão também de uma redução de impostos.

Para o CEO do Grupo Volkswagen, Herbert Diess, todas estas medidas fazem sentido, sobretudo para o grupo europeu que mais investe em veículos eléctricos. Diess acredita que os incentivos ajudarão os condutores a alemães a adquirirem mais carros eléctricos, pelo menos até os seus preços, antes de incentivos, conseguirem ser mais apelativos do que os seus concorrentes a gasolina.

A Alemanha possui, de momento, um parque automóvel em que apenas 480.000 veículos são eléctricos ou electrificados (o que inclui os híbridos e os híbridos plug-in), o que significa que o objectivo de 6 milhões destes veículos mais amigos do ambiente, previsto pelo Governo de Merkel para 2030, ainda está longe. E Merkel necessita deles para reduzir a emissão de CO2, o que nunca irá acontecer até que as centrais a carvão sejam abandonadas.