Ana Julia Quezada foi condenada esta segunda-feira, em Espanha, a uma pena de prisão perpétua, passível de revisão, pela morte de Gabriel Cruz, filho do seu então namorado, noticia o El País.

A madrasta, que se torna assim na primeira mulher a ter esta pena, já tinha sido considerada culpada de assassinar, com maldade, a criança de oito anos e foi, esta segunda-feira, considerada autora de assassinato “com a circunstância agravante de parentesco”.

O Tribunal Provincial de Almeria condenou ainda Ana Julia Quezada por dois delitos de lesões psicológicas aos pais da criança: três anos pelo pai, Ángel Cruz, e dois anos e nove meses pela mãe, Patricia Ramirez.

A madrasta de Gabriel terá ainda de pagar uma indemnização de 250 mil euros por danos morais a cada um dos pais. Terá também de pagar cerca de 200 euros pelas despesas que o Estado teve quando decorreram as buscas pela vítima

A dominicana, de 45 anos, fica ainda proibida de, nos próximos 30 anos, residir no município de Níjar, onde moram os pais de Gabriel, além de não se poder aproximar dos mesmos — tem de estar a uma distância mínima de 500 metros.

O tribunal refere que, no dia 23 fevereiro de 2018, Gabriel tinha saído de casa da avó, onde estava a passar férias com o pai e com a madrasta, para ir brincar com os primos, quando foi intercetado por Ana Julia Quezada. A madrasta convenceu-o a entrar no carro com ela, levando-o para uma quinta, num local “remoto e desabitado”, onde o asfixiou até à morte com as próprias mãos. Nessa altura, enterrou o corpo da criança e, durante onze dias, fingiu não saber do paradeiro do enteado, alimentando “a esperança dos familiares” e participando nas buscas.

Destaca ainda o facto de, no dia 3 de março, para “desviar as atenção” nas buscas e para levantar suspeitas sobre o pai da criança, ter colocado uma camisa de Gabriel nuns arbustos, num local de difícil acesso.

Tudo isto até ser apanhada em flagrante com o cadáver da criança de oito anos no porta-bagagens do seu carro.