A Housefy, uma plataforma de compra e venda de casas sem comissões ou intermediários, entrou há um mês em Portugal e prevê investir no próximo ano um milhão de euros em publicidade no país. Concorrente de plataformas como a portuguesa Kazzify, a startup espanhola está atualmente a operar nas zonas da Grande Lisboa e Porto, “onde se vendem mais de 100.000 casas por ano”, refere a empresa em comunicado.

Através desta plataforma, os proprietários podem vender casas sem serem cobradas as tradicionais comissões de agência pelo serviço, pagando um valor fixo de 3.990 euros, que apenas é cobrado caso o imóvel seja vendido. A startup entrou no mercado português depois de estar no espanhol e italiano.

“Se compararem esta plataforma com as mais tradicionais, percebem que há diferenças não só na comissão, mas no facto de termos uma plataforma feita para que o proprietário consiga gerir a sua casa”, explica ao Observador Alberto Bosch, fundador e diretor da Housefy. A plataforma espanhola permite que o proprietário possa monitorizar todo o processo de venda, sendo que é sempre feita uma avaliação digital para estabelecer o preço de venda do imóvel através de Inteligência Artificial e do cruzamento dos dados de várias fontes do mercado.

A nossa prioridade é a transparência. Estamos numa área que é conhecida pela falta de transparência e, de uma carta forma, de honestidade e é importante para os proprietários saberem o que estão a vender, a que preço e se o valor que estão a propor é ou não correto”, acrescentou o fundador da Housefy ao Observador.

Os serviços da Housefy, acrescenta a empresa, incluem também a captação de fotografias dos imóveis e publicação nos principais portais imobiliários — através de parcerias com o Idealista, LarDoceLar, Imovirtual, Netanuncio e Sapo –, o aconselhamento personalizado durante o processo, o agendamento de visitas e a gestão de toda a documentação, sendo que a venda é feita de particular para particular.

A ideia de criar uma plataforma como a Housefy, conta Alberto Bosch, surgiu em 2016, quando o empresário estava a analisar as áreas em crescimento e encontrou um setor imobiliário que, apesar de estar a crescer, estava preso ao passado. “Percebi que o ambiente proptech [indústria de propriedades] estava a ganhar força, mas vi que o imobiliário nunca foi muito impactado pela transformação tecnológica. Nada acontecia nesta área”, explica. Além disso, conta, a família de Alberto sempre foi ligada a este ramo: “O meu avô era construtor, os meus pais são arquitetos e na nossa família também gerimos alguns apartamentos”.

Em Portugal, a Housefy conta com uma equipa de seis pessoas. Já em termos globais, são mais de 90 pessoas que trabalham com esta startup. O mercado português, conta o fundador, é semelhante ao de Espanha, mas com valores mais elevados: “As comissões cobradas em Lisboa são até mais altas que em Barcelona”. Sobre valores da operação em Portugal, o fundador não quis revelar números específicos, mas adiantou que o primeiro mês no mercado português correu melhor do que o primeiro em Barcelona.

No próximo ano, a Housefy vai investir cerca de um milhão de euros em publicidade televisiva e diz esperar chegar aos 300 imóveis em carteira e 100 transações no primeiro ano de vida no mercado português. “A mensagem que queremos transmitir também com a publicidade é que esta área está um bocado presa no passado e que nós temos uma nova forma de vender casas onde há mais transparência, onde não há comissões, onde se maximiza o preço a que se vende uma casa, e que é este o nosso foco. Estamos a tentar dizer, fazer as pessoas entenderem que há uma nova meta para as pessoas que vendem casas”, acrescenta Alberto Bosch.

Desde 2016, a Housefy reuniu mais de nove milhões de euros em investimento, valor que foi também aplicado no lançamento em Portugal. Em Espanha, a startup é a imobiliária digital que mais imóveis vende, com seis casas a serem transacionadas diariamente na sua plataforma. Ainda para este ano, a Housefy pretende chegar a outras cidades italianas — Turim, Génova, Bolonha e Florença — e expandir-se para a França. O objetivo, termina Alberto, é “fazer com que as pessoas entendam que há uma nova forma de vender casas”.