O presidente da Trienal de Arquitetura de Lisboa, José Mateus, afirmou esta terça-feira que a 5.ª edição do evento pretende “desvendar aspetos” das várias dimensões desta disciplina que “obriga à razão, sem ser fria”.

O arquiteto falava no Espaço Espelho D’Água, em Lisboa, durante a apresentação da Trienal de Arquitetura de Lisboa, que vai ser inaugurada na quinta-feira e decorrerá até 02 de dezembro, com cinco exposições, lançamento de livros, conferências, cinema e prémios.

Nesta 5.ª edição, a Trienal tem como tema “A Poética da Razão” e a curadoria é liderada pelo arquiteto e teórico francês Éric Lapierre, frente à equipa de ensino do mestrado em Architecture & Experience da Escola de Arquitetura de Marne-la-Vallée, em Paris, França.

“Hoje constrói-se como nunca se construiu. A arquitetura é muito produzida para criar espanto, para surpreender, mas não devemos esquecer que ela é racional, pelas suas qualidades intrínsecas”, apontou o presidente.

Para José Mateus, “perante esta vastidão da arquitetura construída, temos de abordar aquela que pode ser mais inteligível para o público”.

Os outros curadores da equipa são o filósofo Sébastien Marot e os arquitetos Mariabruna Fabrizi, Fosco Lucarelli, Ambra Fabri e Giovanni Piovene, Laurent Esmilaire e Tristan Chadney.

José Mateus disse, na apresentação da edição 2019 da Trienal de Lisboa, que o tema irá dar resposta a algumas questões essenciais desta disciplina, como “o que é a razão em arquitetura, como é que esta se relaciona com a agricultura, ornamento ou imaginação”, entre outras.

“Não é possível haver arquitetura sem razão, desenhada de forma mais estruturada que envolva decisões e pensamento. Muitos pensam que a arquitetura racional é fria, mas procura a perfeição e o sublime”, daí o tema remeter para a poesia.

Ao longo de 61 dias, esta edição da Trienal irá apresentar exposições em Lisboa, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém (CCB), no Museu do Chiado, na Culturgest e no Palácio Sinel de Cordes.

Incluirá ainda, em novembro as conferências “Talk Talk Talk” na Fundação Calouste Gulbenkian, e as cerimónias de entrega de prémios dos distinguidos com os Prémios Trienal Millennium BCP, nomeadamente, no sábado, às 17:30, no CCB, com a entrega do Prémio Carreira à arquiteta Denise Scott Brown, e serão anunciados os Prémios Debut e do concurso universidades desta edição.

Paralelamente, entre sexta-feira e o dia 09 de outubro, pelas 16:30, no Cinema Ideal, será exibido, em estreia nacional o filme-ensaio “Ornamento e Delito”, produzido para a apresentação da XV Trienal de Milão 197, e realizado pelo comissário Aldo Rossi.

A trienal decorrerá com um programa paralelo de mais de uma dezena de projetos associados, com 70 participantes, em diversos espaços da capital.