Ativistas e apoiantes do jornalista saudita assassinado Jamal Khashoggi reuniram-se esta quarta-feira em frente ao consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para lembrar o jornalista que foi morto naquele local há um ano.

A homenagem começou pouco depois das 13:14 locais (11:14 em Lisboa), a mesma hora do dia em que Khashoggi entrou no consulado saudita, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca, de onde nunca sairia.

A celebração contou com a participação da relatora da ONU sobre execuções arbitrárias, Agnes Callamard, o político egípcio exilado Ayman Nour e o Prémio Nobel do Iémen, Tawakkol Karman, entre outros ativistas, assim como representantes das organizações não-governamentais Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch e Amnistia Internacional.

Várias perguntas permanecem sem resposta desde a morte de Khashoggi, há um ano, incluindo o paradeiro do seu corpo e a possível culpa do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

Em junho, a relatora especial da ONU, Agnès Callamard, indicou ter “elementos de prova credíveis, justificando uma investigação adicional da responsabilidade individual de altos responsáveis sauditas, incluindo a do príncipe herdeiro”.

Recentemente, Mohammed bin Salman, afirmou por seu lado que assume “plena responsabilidade” pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime, mas negou ter ordenado o homicídio.

Para a Human Rights Watch (HRW), não basta assumir a responsabilidade pelo assassínio.

“Se ele [bin Salman] for sério, o príncipe herdeiro e o seu Governo devem mostrar transparência (…) e revelar tudo o que sabem sobre o planeamento, execução e consequências do assassínio de Khashoggi”, indicou Sarah Leah Whitson, diretora da HRW para o Médio Oriente.

Já para a Amnistia Internacional, a confissão do príncipe herdeiro permanecerá no domínio das relações públicas, se não for seguida por uma ação imediata.

Essa ação deve incluir “um acesso imediato e sem restrições ao país de observadores independentes de direitos humanos para acompanhar o julgamento e relatar publicamente”, afirmou Lynn Maalouf, diretora de investigação da Amnistia Internacional no Médio Oriente.

Numa carta ao rei da Arábia Saudita, Salman, o Instituto Internacional de Imprensa, com sede em Viena, exigiu um julgamento transparente.

“Conforme recomendado pela relatora especial da ONU, o Governo deve aceitar uma investigação adicional e um novo julgamento transparente com uma contribuição, apoio e controlo internacional”, salientou este órgão que defende a liberdade de imprensa na sua carta.

Em outubro de 2018, investidores internacionais boicotaram, como forma de protesto após o assassínio de Khashoggi, um importante fórum económico organizado por Riade.

No entanto, o jornal Wasington Post informou que a edição deste ano, prevista para o final de outubro, vai contar com várias grandes empresas como Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Citigroup e BlackRock.

Mais de 150 dirigentes de empresas confirmaram a sua presença, segundo uma lista de participantes consultada pelo jornal norte-americano.

A 02 de outubro de 2018, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava nos Estados Unidos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.

O jornalista não voltou a sair do consulado, onde foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o assassínio.

O julgamento dos 11 suspeitos começou no início de janeiro, na Arábia Saudita, e o procurador-geral solicitou a pena de morte para cinco deles, mas até hoje, ninguém foi condenado.