Vai ser apresentado como uma espécie de ultimato: ou aceitam, ou nada feito. Boris Johnson está farto de esperar pelo Brexit, as negociações com a União Europeia (UE) parecem intermináveis vai apresentar uma proposta que chama de final — com uma solução que apresentará como “compromisso justo e razoável” do Reino Unido para lidar com as exigências da UE. E uma das principais novidades do documento que terá sido já enviado a Bruxelas e a vários países da União Europeia é a criação de uma segunda fronteira entre Irlandas, ainda que transitória, até 2025, segundo o jornal britânico The Telegraph.

A fronteira entre as Irlandas é um dos principais obstáculos ao acordo entre Reino Unido e União Europeia. Isto porque a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido que está de saída, ao contrário da República da Irlanda que vai ficar na UE. Há o receio de uma fronteira a sério entre Irlandas passa trazer ao de cima os fantasmas do conflito entre católicos e protestantes.

A proposta do Reino Unido reconhece que a Irlanda do Norte deverá ter uma “relação especial com a Europa” (e, consequentemente, com a República da Irlanda), pelo menos até 2025, e vai aceitar a necessidade “de uma fronteira reguladora entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte, no Mar do Norte” — mas provisória, durante quatro anos —, que facilite a ligação da Irlanda do Norte à República da Irlanda (e consequentemente à UE).

No entanto, existirão “postos de controlo aduaneiro entre o Ulster [região que divide Irlanda e Irlanda do Norte] e a República da Irlanda”. A Irlanda do Norte “continuaria em grande parte no mercado único da UE até pelo menos 2025 — mas deixaria de beneficiar da união aduaneira com a UE [e, tão ou mais importante, com o país vizinho] tal como o resto do Reino Unido”, refere o The Telegraph.

Boris Jonhson quer assim abandonar a União Europeia, mas manter também (na totalidade, não só a Irlanda do Norte) um acordo de livre comércio, até se chegar a outro acordo. Além disto, propõe que a Irlanda do Norte permaneça no mercado único da UE para a livre circulação de bens industriais e agrícolas  — para evitar tensões e  diferença de tratamento com a República da Irlanda). Já os produtos com origem no Reino Unido e destinados à Irlanda Norte serão alvo de controlo, através de uma fronteira aduaneira “high-tech” com o país vizinho (a Irlanda que fica na UE). Ao fim de quatro anos, a Irlanda do Norte pode escolher se quer ficar dentro das regras da UE e da Irlanda vizinha ou se prefere alinhar-se com o restante Reino Unido.

Os governos das principais capitais europeias já terão sido informados dos detalhes da proposta “final” do Reino Unido para o Brexit e antecipa-se resistência ao plano.  Sem acordo, o Reino Unido sairá da UE no final do mês. Quanto a Boris Johnson, tenciona ser tão firme no ultimato à UE que um dos seus principais conselheiros de estratégia, Dominic Cummings, terá avisado nos bastidores que “não vamos ficar à espera que negoceiem connosco [desta vez]. Se rejeitarem a nossa oferta, acabou-se”.

Segundo uma “fonte” do The Telegraph “familiar com o conteúdo” da proposta, o que esta significa mesmo é que “será preciso apresentar declarações sobre bens que voem entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte e gerir uma nova fronteira entre Norte e Sul”. Deixa a Irlanda do Norte “abandonada”, quase como terra de ninguém, com um pé no Reino Unido e outro na UE e República da Irlanda.