O líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, afirmou esta quarta-feira em Cascais que “o voto útil é inútil nas atuais circunstâncias da democracia portuguesa”, afirmando que defendê-lo é quase atentatório da liberdade de escolha.

“Voltou a teoria do voto útil, e eu gostaria de lembrar que o voto útil é inútil nas atuais circunstâncias da democracia portuguesa”, defendeu Pedro Santana Lopes, cabeça de lista do partido Aliança pelo distrito de Lisboa, durante uma visita ao mercado de Cascais. Santana Lopes advogou que “a inutilidade do voto útil salta à vista porque sabe-se que o que importa é cada bloco ter metade e mais um dos votos, independentemente do partido em que as pessoas votem, de cada lado”.

“Não interessa estar a votar num dos maiores partidos para ganharem, porque eles precisam é que do seu lado exista uma maioria”, completou, acrescentando que o ato de defender o voto útil, hoje, é “quase atentatório da liberdade e da dignidade de pensamento e de escolha de cada um”.

Durante a sua visita ao mercado, o líder da Aliança encontrou-se com velhos aliados, como Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais (PSD/CDS-PP) e seu apoiante nas últimas eleições do PSD, e com Rui Gomes da Silva, que foi ministro da Adjunto e dos Assuntos Parlamentares no Governo em que Santana Lopes foi primeiro-ministro (2004-2005).

No mercado de Cascais, na manhã desta quarta-feira, a campanha do Aliança cruzou-se também com a do PS e do CDS-PP, tendo a do PSD aparecido mais tarde. Sobre o encontro com Carreiras, Santana Lopes falou num “encontro de amigos, pessoas que que têm muitos anos de combate em conjunto, e independentemente das diferenças de filiação partidária, existem muitos laços pessoais de há muitos anos”.

“Vindo aqui a Cascais, e ele gentil como é sempre, veio-me dar um abraço”, tendo inclusivamente ambos tomado um café, a que mais tarde de juntou Rui Gomes da Silva.

O café foi pretexto para o líder do Aliança manifestar vontade de “convergência” entre várias forças políticas à direita, algo com que Portugal “ganharia muito”.

“Acho que é manifesto, e ainda hoje de manhã ouvia o primeiro-ministro, de que há um esgotamento e um nervosismo daquele setor, e nomeadamente do PS”, considerou, dizendo também que “há algo que faz lembrar 2015, com o PS a baixar nas últimas semanas e nos últimos dias”.

Para Santana Lopes, os portugueses, ao votar, vão pensar “no que seria o país com mais quatro anos de Governo PS apoiado à esquerda, nas atuais circunstâncias que a Europa atravessa”.

Pelo mercado, o líder do Aliança foi sendo reconhecido pela população, com uma cliente surpreendida pela mudança de partido por parte de Pedro Santana Lopes, questionando-lhe se “saiu do PPD”, ao que Santana Lopes esclareceu que o tinha feito “já há um ano”. “Ai foi? Mas era o meu partido, como é que é agora? Vou passar para si?”, retorquiu a cliente. “Agora vai”, respondeu Pedro Santana Lopes.