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Para uns, será sempre a miúda rebelde e vocalista dos No Doubt, de cabelo azul e bindi no centro da testa. Para outros, um ícone pop saltitante que desabrochou no início dos anos 2000. Vá o pêndulo geracional para onde for, uma coisa é certa: Gwen Stefani é um ícone, cuja excentricidade e habilidades vocais conquistaram a indústria há mais 30 anos. Três Grammy Awards, um casamento e 50 anos depois, Gwen é o rosto que teima em não envelhecer. Serão o loiro platinado e o batom vermelho a fórmula da juventude.

Num concerto dos No Doubt em setembro de 1989 © Barry King/WireImage

No início dos anos 90, Gwen foi uma figura disruptiva no panorama do rock. O grunge estava no seu auge e com ele a imagem de um artista caótico e sujo. Ela, por sua vez, devolveu à indústria o lado mais glamoroso, bem ao estilo de Debbie Harry, vocalista dos Blondie. Em suma, uma boneca roqueira. A sua voz chegou aos No Doubt em 1986, proposta pelo irmão. Este abandonaria a banda pouco tempo depois, enquanto Gwen acabaria por se tornar na imagem mais icónica do grupo de Anaheim.

A viagem pelos registos ska e reggae marcou a primeira fase da banda. O primeiro disco — No Doubt — chegou em 1992, embora tenha sido Tragic Kingdom, o terceiro álbum, a catapultar os No Doubt para o estrelato (ou para o mainstream). “Don’t Speak”, um sucesso à escala planetária, terá sido escrito na ressaca do final da relação de Stefani e Tony Kanal, o baixista da banda.

Gwen Stefani nos anos 90 © Mitchell Gerber/Corbis/VCG via Getty Images

No final de 2004, lançou-se a solo com o disco Love. Angel. Music. Baby. Uma viragem ao universo pop e R&B, com grandes produções por trás dos videoclipes, uma digressão milionária — Harajuku Lovers Tour –, um guarda-roupa exuberante e seis nomeações aos Grammy Awards. “Hollaback Girl”, o terceiro single do álbum, foi a primeira música a atingir a marca de 1 milhão de downloads pagos nos Estados Unidos.

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A moda faz, aliás, parte da vida de Gwen Stefani. Além do estilo transgressor que manteve até ao início dos anos 2000, trocado depois por uma excentricidade bem mais consensual, criou a própria marca de roupa. L.A.M.B. nasceu em 2003 e chegou a fazer parte do calendário de desfiles da Semana de Moda de Nova Iorque. No próprio guarda-roupa, os tops curtos tornaram-se uma imagem de marca. Em cima do palco e nas passadeiras vermelhas, a barriga de fora permitiu ao mundo reconhecê-la à distância.

Depois de dois discos a solo e de 11 anos sem um álbum dos No Doubt, sai Push and Shove, a marcar o reencontro da banda. No total, Gwen Stefani já ganhou três Grammy Awards — em 2002, com “Let Me Blow Your Mind”, a colaboração com a rapper Eve; um ano depois, com o tema “Hey Baby”; em 2004, com “Underneath It All”. Stefani veio a lançar um terceiro álbum a solo, em 2016, e a ingressar no programa X Factor, na qualidade de jurada. Atualmente, tem um espetáculo residente em Las Vegas com concertos garantidos até ao verão do próximo ano.

Durante um concerto, em junho de 2002, com a inconfundível barriga de fora © Kevin Winter/ImageDirect

A vida pessoal de Gwen ficou marcada pelo casamento de 14 anos com Gavin Rossdale, vocalista dos britânicos Bush. Os dois conheceram em meados dos anos 90, casaram em 2002 e têm três filhos: Kingston de 13 anos, Zuma de 11 e Apollo de 5. Depois do divórcio, a cantora californiana iniciou uma relação com Blake Shelton, cantor de música country. Os dois continuam juntos, também na televisão, como jurados de um programa de televisão.

Com o namorado, Blake Shelton, e os filhos, Kingston, Zuma e Apollo, em abril deste ano © Steve Granitz/WireImage

Na fotogaleria, mostramos a evolução de Gwen Stefani ao longo dos últimos 30 anos, dos primeiros anos dos No Doubt à residência em Las Vegas.