Depois de ouvir o juiz a aplicar uma pena de dez anos de cadeia à ex-polícia que lhe tinha assassinado o irmão, Brandt Jean atravessou a sala do tribunal e abraçou-a. “Gosto de si como de qualquer outra pessoa. Não vou dizer que espero que apodreça e morra tal como aconteceu ao meu irmão, eu desejo-lhe o melhor”, disse o irmão da vítima.

Amber Guyguer, 31 anos, foi acusada de ter assassinado um vizinho, negro, e apesar de ter alegado em tribunal que pensou tratar-se de um intruso no seu apartamento, a sua tese não vingou. Para a convicção dos juízes valeu algumas mensagens racistas que tinha trocado e que permaneciam no seu telemóvel quando este foi apreendido pelas autoridades. Assim como alguns memes que partilhou nas redes sociais.

Minutos depois de ter ouvido a sentença, aconteceu o inesperado no tribunal de Dallas, nos Estados Unidos, como relata o The Guardian. O irmão da vítima pediu permissão ao juiz Tammy Kemp e atravessou a sala de audiências para falar com a arguida e abraçá-la. “Nunca iria dizer isto à frente da minha família ou e outra pessoa, mas eu nem sequer quero que vá para a prisão, quero o melhor para si porque sei que isso seria exatamente o Botham quereria… e o melhor seria dar a sua vida a Cristo”.

Num conferência de imprensa, o procurador distrital de Dallas, John Creuzot descreveu o que viu como um “incrível ato de cura”. Depois confessou que esperava uma pena de cadeia superior, uma vez que propôs 28 anos, embora respeite a decisão tomada.

A ex-polícia de Dallas foi condenada terça-feira pelo homicídio de Botham Jean, que estava a ver televisão na sua sala em casa, enquanto comia um gelado de baunilha, na noite de 6 de setembro de 2018. Amber Guyguer, que entretanto foi demitida da polícia, alegou sempre que estava muito cansada nessa noite e que se enganou no apartamento onde entrou, pensando estar a disparar contra um intruso.