A Coreia do Norte confirmou que, quarta-feira, testou com sucesso um novo tipo de míssil — algo que o regime descreveu como “um feito significativo”. O míssil foi disparado a partir de um submarino no mar norte-coreano e o teste aconteceu horas depois de Pyongyang aceitar retomar as negociações com Washington sobre o dossier nuclear.

O regime de Kim Jong-un confirmou o lançamento à agência de notícias estatal KCNA e o teste significa que a Coreia do Norte poderá disparar mísseis fora do seu território. Acresce que, e como adianta a BBC, mísseis disparados a partir de plataformas marítimas são mais difíceis de detetar. A KCNA divulgou ainda que o projétil em causa é um Pukguksong-3, criado para “conter ameaças e aumentar a auto-defesa”.

O sucesso do lançamento do novo tipo de SLBM [míssil disparado a partir de um submarino] é um grande feito e faz-nos entrar numa nova fase de contenção de ameaças exteriores à República Popular Democrática da Coreia e fortalece a nossa força militar e auto-defesa”, anunciou a KCNA, citada pelo The Guardian.

O projétil alcançou uma distância de cerca de 450 quilómetros e chegou a uma altitude de 910 quilómetros, tendo caído no mar do Japão. A mesma agência disse que “a segurança de países vizinhos” não foi posta em causa.

Este é o 11º lançamento realizado pela Coreia do Norte este ano e o nono desde que Kim Jong-un e Donald Trump se encontram em junho na zona desmilitarizada, na fronteira das Coreias. Ao contrário de lançamentos de mísseis anteriores, desta vez não há fotos de Kim Jong-un presente no local. Ainda assim, o líder do país já terá dado os parabéns à equipa que realizou o lançamento.

A Coreia do Sul mostrou-se preocupada com a escalada de tensão e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, condenou o lançamento, dizendo que foi uma violação das resoluções de segurança da ONU.

Regresso às negociações?

Na primeiro dia de outubro, a Coreia do Norte e os Estados Unidos anunciaram o regresso à mesa de negociações sobre a desnuclearização já esta sexta-feira, após um verão tenso marcado pelos testes de armas de Pyongyang. A Coreia do Norte e os Estados Unidos “concordaram em manter um contacto preliminar a 4 de outubro e manter uma reunião de trabalho a 5 de outubro”, de acordo com um texto assinado pela vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Choe Son-hui.

Horas depois, ocorria o lançamento do Pukguksong-3. A Casa Branca já avisou a Coreia do Norte para se “abster de provocações” e apelou para a manutenção e envolvimento do país nas negociações.

A Coreia do Norte está proibida, por resolução das Nações Unidas, de disparar mísseis e tanto esta organização como os EUA já aplicaram sanções que visam o programa nuclear de Pyongyang. Peritos citados pela BBC sugerem que, nas negociações, o governo norte-americano poderá pôr em cima da mesa a suspensão de sanções da ONU sobre a exportação de certos produtos da Coreia do Norte durante três anos. Em troca, a Casa Branca pede o encerramento do centro de pesquisa científica e nuclear de Yongbyon e o fim do enriquecimento de urânio.