A França prevê “medidas de retaliação” contra os Estados Unidos, em concertação com a UE, se Washington aplicar as sanções contra produtos europeus anunciadas na quarta-feira, disse esta quinta-feira a porta-voz do governo francês.

“Nós sempre dissemos perante a OMC (Organização Mundial de Comércio) que acreditamos que é melhor encontrar soluções amigáveis do que participar em disputas comerciais”, declarou Sibeth Ndiaye à televisão BFMTV e à rádio RMC, após o anúncio dos Estados Unidos sobre impostos alfandegários punitivos sobre produtos europeus.

Washington impõe tarifas à UE a partir de 18 de outubro

“Lamento que estejamos envolvidos nessa guerra comercial com os Estados Unidos porque, quando entramos em guerra, temos poucas hipóteses de ver o crescimento coletivo aumentar”, sublinhou a porta-voz, acrescentando que tal situação “no final, não traz nada a ninguém”.

Questionada sobre o que poderia ser esta retaliação, Sibeth Ndiaye recusou-se a avançar as formas que poderiam combater as ações dos Estados Unidos.

A porta-voz do governo francês demonstrou o desejo de “conversar antes de chegar lá (à guerra comercial)”, referindo que em pouco tempo poderiam chegar a um acordo. No entanto, se os Estados Unidos “não tiverem uma atitude de apaziguamento, a Europa não deixará passar”, alertou.

Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira que atingiriam 7,5 mil milhões de dólares em tarifas punitivas de produtos europeus, poucas horas depois dos norte-americanos terem uma “grande vitória” na OMC, nomeadamente no interminável caso das subvenções à Airbus.

Essas sobretaxas serão impostas a partir de 18 de outubro, nomeadamente 10% em aeronaves importadas da União Europeia e 25% em outros produtos, incluindo vinho, queijo, café e azeitonas, de acordo com uma lista publicada pelo Serviços do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

A maioria das sanções será aplicada às importações da França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, “os quatro países por trás dos subsídios ilegais” concedidos ao fabricante europeu de aeronaves, especificou o USTR.