“Neste momento, estamos a cavar o buraco onde já estamos metidos”, diz João Duque, presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), prevendo instabilidade na próxima legislatura. Em entrevista conjunta à Renascença e ao Público, João Duque refere que, havendo uma alteração das taxas de juro a curto prazo, os portugueses endividados correm o risco de ficarem ainda mais endividados:

Se houver uma alteração das taxas de juro de curto prazo e saltarem para os expectáveis 2% dentro da [futura] legislatura, dentro de um ano a dois anos, estamos a falar da Euribor. Os portugueses endividados ficarão ainda mais endividados com taxas que atirarão as taxas de juros dos contratos que ainda têm de habitação para os 3, 3,5, 4% ou por aí acima. Para além disso, teremos o impacto sobre a dívida do Estado que, à medida que se vai vencendo, vai-se renovando [com novas taxas mais altas]”.

A escalada do crédito é “preocupante” e, apesar do abrandamento em alguns sectores, a “dívida pública aumentou nos últimos quatro anos”. João Duque afirma ainda que, atualmente, estamos a viver um regime com taxas juro “como nunca houve há um tempo demasiado prolongado”:

O PS acredita que o crescimento pode esbater a questão da dívida. Nós endividámo-nos mais em termos absolutos mas menos em termos relativos porque o crescimento do PIB fez reduzir esse peso. Mas o peso efetivo existe e é muito preocupante. Estamos a viver um regime de taxas de juro como nunca houve há um tempo demasiado prolongado e com consequências que já são mais negativas do que positivas”.

Questionado sobre se virá aí outro aumento de impostos, o presidente da SEDES responde “pois” ou, então, “uma redução dos gastos do Estado nalguns ministérios”. João Duque afirma ainda que “quem governa devia ter a missão de governar não para uma legislatura mas para a vida, como nós fazemos com a nossa vida”.