Em alguns jogos, como frente ao V. Setúbal e ao V. Guimarães, dava para escolher qual tinha sido o melhor golo. Noutros, como o Benfica na Luz, que jogador merecia ser o MVP. E ainda outros, como o Young Boys ou o Rio Ave, onde dava para eleger a melhor defesa de Marchesín. Os últimos oito encontros do FC Porto tiveram histórias bem diferentes mas terminaram de forma igual para os dragões: a ganhar. Uma, duas, oito vezes. E em seis delas sem consentir golos. Esta noite, em Roterdão, tudo mudou. E passou do oito para o 80.

Oito jogos depois, os portistas sofreram a primeira derrota numa fase de grupos da Liga Europa. Mais: juntando fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, os dragões não perdiam há dez encontros. Mais ainda: pela primeira vez na presente temporada, os azuis e brancos não marcaram. Olhando para as estatísticas, o FC Porto passou à fase seguinte em 71% das ocasiões em que começou com uma vitória e uma derrota (e o facto de todas as equipas terem agora três pontos reforça essa possibilidade) mas Sérgio Conceição não gostou do desfecho.

“Até aos 23/25 minutos o Feyenoord não tinha chegado à nossa baliza. Foi um jogo equilibrado mas estivemos por cima na primeira parte. Por vezes não fomos tão agressivos e deixávamos algum espaço nas costas. Ao intervalo corrigimos algumas situações mas logo no início da segunda parte sofremos o primeiro golo, num lance algo caricato. Fomos à procura do golo, o jogo abriu-se e ficamos mais expostos e surge daí o segundo golo. Criámos muitas situações de golo mas dá a sensação de que podíamos ter tido mais quatro ou cinco ocasiões… A bola não entrava. Há jogos assim, não tão bem conseguidos”, começou por comentar o técnico portista.

“A agressividade é um dos pontos fortes da nossa equipa e não estivemos ao nosso melhor nível na primeira fase de construção, o que lhes deu espaço. Em termos de ocasiões, o empate seria o mais justo mas quem marca é que ganha. Temos de olhar para nós, poderíamos ter feito melhor. Agora estão todas as equipas com três pontos, só dependemos de nós e vamos fazer de tudo para passar. O Feyenoord esteve num patamar mais elevado do que tem estado no passado recente e nós talvez um bocadinho abaixo”, acrescentou o timoneiro dos azuis e brancos.

“Num dos pontos fortes da nossa equipa, que é a agressividade, não estivemos num grandíssimo nível. Estou a falar na agressividade do movimento, do encurtamento, na forma como se concretiza uma jogada, como se finaliza… Até mesmo nas próprias faltas, há um desnível grande entre o que nós fomos e o que foi hoje o adversário. Segundo golo? Há coisas difíceis de explicar… É uma recuperação nossa, uma perda de bola e depois também alguma fadiga, por estar sempre em cima do adversário. Foi um momento aproveitado com alguma facilidade, talvez por essa falta de agressividade no segundo golo, o que complicou muito o jogo”, concluiu Sérgio Conceição.