“Vita & Virgínia”

A vertente mais decorativa, inerte e “literária” do cinema inglês manifesta-se pesada e pretensiosamente nesta fita de Chanya Button sobre a relação amorosa e intelectual entre Virginia Woolf e a aristocrata, figura escandalosa da alta sociedade inglesa e também escritora Vita-Sackville West, ao longo das décadas de 20 e 30. Como o argumento vai beber muito à abundante correspondência entre ambas, o filme insiste nos planos em que Elizabeth Debicki, no papel de Woolf (e muito mais bonita do que a romancista era na verdade), e Gemma Aterton, no de Sackville-West, debitam excertos das mesmas. Como cinema, “Vita & Virgina” é boa decoração de interiores e seleção de guarda-roupa.

“Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos”

Este documentário de Renata Sancho sobre a Avenida Almirante Reis vista em três épocas, desde o final da monarquia até aos nossos dias, com o 25 de Abril pelo meio, é um daqueles casos em que a existência de narração, por minimamente informativa e pontualmente contextualizadora que seja, teria beneficiado muito o resultado final. Não é suficiente ir buscar fotografias, imagens e sons de arquivo, e textos de época, acrescentar-lhes sequências contemporâneas, e deixar que tudo “fale” por si mesmo. Convém também haver uma voz que situe, elucide, guie o espectador, mesmo que ele seja lisboeta e conheça bem a artéria em questão e a sua história. E é precisamente isso que falta ao filme.

“Joker”

Depois de Cesar Romero, Jack Nicholson, Heath Ledger e Jared Leto o terem personificado no cinema, é agora a vez de Joaquin Phoenix interpretar o Joker neste filme de Todd Phillips passado na Gotham City do início dos anos 80, e onde este arqui-vilão e inimigo de Batman ocupa o centro da cena, por ser revelada a história da sua origem. Aqui, o Joker é Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um pobre diabo que trabalha como palhaço, quer ser cómico de “stand up”, sofre de problemas mentais, vive com a mãe doente num edifício degradado e não há mal que não lhe suceda. “Joker” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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