Os pais de uma menina de cinco anos que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a deixou com lesões permanentes no cérebro vão poder levá-la para Itália — uma decisão que teve de ser tomada pelo Tribunal Superior [High Court] de Londres depois de os médicos comunicarem ao casal que iriam desligá-la das máquinas porque já nada havia a fazer.

A família de Tafida Raqeeb tem feito uma campanha de angariação de fundos para poder transferir a menina para um país onde a assistam sem desligarem as máquinas. Querem que seja transferida para Génova, em Itália.

No Reino Unido, caso os médicos considerem que as decisões dos pais não são as melhores para os filhos e se não se chegar a um acordo, o caso avança para tribunal — que foi o que aconteceu. Os médicos que acompanham a menina, no Hospital Royal de Londres, dizem que qualquer tratamento será em vão, uma vez que a criança sofreu danos irreversíveis no cérebro dos quais não conseguirá recuperar.

De acordo com a Sky News, tanto a mãe, Shelina Begum, como o pai, Mohammed Raqeeb, de Tafida tinham pedido aos médicos que a mantivessem ligada às máquinas, pelo menos até ser declarada a morte cerebral. É que, fundamentam, são muçulmanos e segundo a lei islâmica só Deus pode pôr fim à vida.

A pequena Tafida começou a sentir uma forte dor de cabeça ainda em fevereiro. Horas depois desmaiou e os médicos perceberam que tinham rebentado veias na sua cabeça. Numa vigília feita à porta do tribunal, para permitir a mudança de hospital, um tio de Tafida disse aos jornalistas que se notavam algumas melhorias.

Há hipóteses de ela recuperar mas não estamos à espera de uma cura milagre, não estamos a dizer que vai recuperar a 100%, mas nós aceitamo-la como ela está”, disse.

Em 2017, foram os pais de Charlie Gard, que morreu nesse ano, que travaram uma batalha legal para tentar levar o filho para um tratamento nos Estados Unidos. Ao fim de onze meses, os pais acabaram por desistir do recurso interposto para que o filho fosse levado para o estrangeiro. Queriam apenas que o filho tivesse uma “vida com sentido”.