Exploração sexual e fraude. O ator norte-americano James Franco terá de responder a estas acusações em tribunal, assim como os seus dois sócios da Studio 4, uma escola para atores, já encerrada. Duas antigas alunas acusam os três homens de explorar estudantes do sexo feminino e vão, por isso, processá-los: pedem indemnizações pelos danos causados e que todas as gravações feitas durante as aulas de “Cenas Sexuais” sejam destruídas.

O processo deu entrada esta quinta-feira no Tribunal de Los Angeles, noticia a NPR, National Public Radio, que falou com as duas queixosas, Sarah Tither-Kaplan e Toni Gaal. Não é a primeira vez que Tither-Kaplan faz acusações sobre Franco — em janeiro de 2018 foi uma das cinco mulheres que o denunciaram por alegada má conduta sexual num artigo publicado pelo Los Angeles Times. A atriz entrou no filme de Franco “The Long Home”, enquanto Toni Gaal contracenou com o ator em “The Heyday of the Insensitive Bastards”.

Embora James Franco ainda não se tenha pronunciado pessoalmente sobre o processo, o seu advogado respondeu ao NPR, desmentindo todas as acusações e avisando que o ator irá ripostar e pedir ele próprio uma indemnização às duas queixosas.

“Não é a primeira vez que essas alegações são feitas e já foram desmascaradas. Não tivemos a oportunidade de analisar em profundidade a queixa mal-informada, uma vez que ela foi passada à imprensa antes sequer de dar entrada na justiça e de o meu cliente ter sido notificado. James irá não só defender-se completamente das acusações, mas também irá pedir uma indemnização às queixosas e aos seus advogados por darem entrada a esta escandalosa ação judicial que procura publicidade”, respondeu Michael Plonsker, advogado de James Franco.

O curso de “Cenas Sexuais” na origem das acusações

Quando o Studio 4 abriu, em 2014,  Tither-Kaplan foi uma das primeiras alunas. Uma das ofertas da escola era o curso de “Cenas Sexuais” que custava 750 euros (680 euros) e para o qual só se entrava após uma audição.

“Respeitava-o como ator e o facto de ter sido escolhida com base numa audição significava para mim que o meu talento tinha sido valorizado”, disse à NPR. A sua expectativa era aprender a “manobrar-se profissionalmente em cenas de sexo”, mas refere que não foi isso que aconteceu. Tither-Kaplan queixa-se de não ter aprendido nada, por exemplo, sobre os direitos de um ator negociar as cenas de nudez.

À medida que o curso avançava, os atores eram encorajados a assumir riscos com o corpo, conta a atriz. Foi isso que fez, diz, porque queria dar o seu melhor. A compensação, argumenta, veio mais tarde. “Depois de fazer o curso ‘Cenas Sexuais’, de fazer as cenas de nudez, e de fazer a cena de sexo na minha curta, comecei a trabalhar com eles regularmente”, sublinha.

Já Toni Gaal conta que a maioria do trabalho que lhe era oferecido “implicava cenas de nudez — especificamente para mulheres”. O problema, diz, não era apenas o das audições. “Estávamos constantemente a ir a audições para projetos que envolviam nudez, e tínhamos de fazer uploads de gravações que nós próprias fazíamos em casa, por isso eles consistentemente recebiam cenas deste tipo de trabalho de natureza sensível.”

Assim, na acusação, as duas queixosas alegam que o Studio 4 foi criado para “criar um fluxo constante de mulheres jovens para objetivar e explorar”, “mulheres jovens e ingénuas entre os 17 e os 24 anos” que não percebiam como a indústria funciona. Sarah Tither-Kaplan e Toni Gaal dizem ainda que o ator e os seus sócios “sexualizaram o seu poder enquanto professores e empregadores”, fazendo promessas de emprego que nunca se concretizaram. Por outro lado, acrescentam que a escola foi pensada para burlar os regulamentos da Califórnia que proíbem que os atores paguem por audições.

Em janeiro de 2018, quando surgiram as primeiras acusações contra si, James Franco quando questionado por Stephen Colbert, no “Late Show”, respondeu: “Ao longo da minha vida, orgulho-me de assumir a responsabilidade pelas coisas que fiz. Tenho de fazer isso para manter meu bem-estar. Faço isso sempre que sei que há algo errado ou que precisa ser alterado. Faço questão de fazê-lo. As coisas que ouvi dizer que estão no Twitter não estão corretas, mas apoio totalmente as pessoas que vêm a público e que são capazes de ter uma voz porque, durante muito tempo, não a tiveram.”

Para já, depois das novas acusações, mantém-se em silêncio.