Elisa Ferreira deu “respostas a todas as perguntas, incluindo às que dizem respeito a conflitos de interesse” e demonstrou uma postura “positiva e auto-disciplinada na audição”, considerou a Comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu (REGI) no parecer que deu luz verde à ex-vice-governadora do Banco de Portugal para assumir a pasta da Coesão e das Reformas na Comissão Europeia.

No documento — a que o Observador teve acesso e que será tornado público no dia 17 de outubro — o presidente da REGI, Younous Omarjee, elogiou ainda a “experiência e o compromisso” demonstrados por Elisa Ferreira, nomeadamente em relação à “política de coesão e o seu futuro após 2020” e o “percurso académico e profissional” da antiga eurodeputada.

A decisão, escreve Ormajee, foi, por isso, unânime: Elisa Ferreira está “apta a exercer as suas funções” como comissária da pasta da coesão e como membro do colégio de comissários.

Elisa Ferreira recebeu luz verde do Parlamento Europeu para Comissária da Coesão e Reformas

Já numa nota de anexo, a Comissão dos Orçamentos do Parlamento Europeu refere que Elisa Ferreira “está qualificada para desempenhar as tarefas específicas que lhe foram atribuídas”. E nota que durante a audição, a comissária mostrou “um compromisso em cooperar ativamente com o Parlamento Europeu para atingir um acordo oportuno no quadro financeiro plurianual 2021-2027”, tendo garantido “repetidamente que iria lutar pelo mais alto nível possível de financiamento, para que seja possível cumprir os objetivos propostos”.

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Numa outra nota, a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários considerou igualmente que a ex-governadora do Banco de Portugal está “qualificada para exercer as obrigações que lhe foram atribuídas” no que à comissão diz respeito. E sublinha “a ênfase” dada pela comissária em temas como a “implementação das reformas estruturais dos estados-membros, respeitando o Semestre Europeu” ou a “vontade em colaborar com todos as comissões envolvidas com o objetivo de construir o Fundo para uma Transição Justa”.

Respostas foram “de uma forma geral satisfatórias”

Antes da audição, Elisa Ferreira recebeu uma lista de perguntas escritas, às quais respondeu “prontamente” e às quais deu respostas “de uma forma geral satisfatórias”, escreve Younous Omarjee. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu nota que a comissária “repetiu que iria lutar para o orçamento mais alto possível para o quadro financeiro plurianual, e que não concordava com os cortes orçamentais”, apoiou “uma política de coesão à medida capaz de responder às diferentes necessidades das regiões” e frisou que “a política de coesão e as reformas estruturais deviam reforçar-se mutuamente”.

Elisa Ferreira comprometeu-se ainda a “evitar participar em qualquer decisão que possa levantar questões sobre potenciais conflitos de interesse”.

Elisa Ferreira garante que se vai abster quando houver interesse pessoal do marido

A Comissão de Desenvolvimento Regional sublinhou ainda que, na sua declaração de encerramento, a ex-governadora do Banco de Portugal reafirmou que iria lutar no colégio de comissários para “o maior orçamento possível”. E repetiu que leva a sério as preocupação dos membros na simplificação, reformas estruturais, questões ambientais e mudanças climáticas”, garantindo que iria trabalhar para “as regiões ultraperiféricas”.