Os magistrados da Guiné-Bissau decidiram suspender a greve para exigir a aplicação da lei sobre o novo estatuto remuneratório devido às eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, refere-se num comunicado a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso.

Apela-se aos magistrados para retomarem as suas atividades profissionais a partir de sexta-feira e manterem-se calmos e serenos na certeza de que os seus representantes se mantêm firmes e determinados em prosseguir na luta pela defesa dos seus direitos e interesses”, refere-se no comunicado, divulgado ao final do dia de quinta-feira.

No documento, os representantes sindicais dos magistrados judiciais e do Ministério Público salientam que tomaram a decisão de suspender a greve devido aos “interesses superiores da Nação”, nomeadamente a apreciação das candidaturas às eleições presidenciais. O Supremo Tribunal de Justiça tem de anunciar em 15 de outubro a lista dos candidatos aprovados para participar nas presidenciais. No total, foram submetidas para apreciação no Supremo 19 candidaturas às presidenciais.

No comunicado, os representantes sindicais salientam também que foi suspensa a greve que deveria começar na segunda-feira.

Na quinta-feira, a ministra da Justiça, Ruth Monteiro, disse acreditar que iria “prevalecer o bom senso”. “Estamos a falar de titulares de órgãos de soberania que têm uma responsabilidade acrescida com o país e com o povo e estou convicta que o interesse do país vai falar mais alto”, acrescentou.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, afirmou entretanto que o interesse nacional foi preservado com o anúncio da suspensão da greve dos magistrados do país. “Após várias rondas negociais, ficou suspensa a greve dos magistrados. O interesse nacional deve ser preservado sempre. O país em primeiro lugar”, escreveu Aristides Gomes, na sua página nas redes sociais.