Começou no futsal a jogar pelo Restauradores, passou para o futebol de 7/11 no clube da cidade onde nasceu (Maia), mudou-se para a Madeira para representar o Nacional ainda nos juniores, subiu aos seniores (e à Primeira Liga) pelos insulares, assinou pelo Granada em 2016/17, foi o guarda-redes menos batido da Segunda Divisão em Espanha e é um dos destaques da La Liga. E é português. E tem 25 anos. Entre os principais destaques do Granada na presente época, segundo classificado à entrada para a oitava jornada sendo a terceira melhor defesa na prova, encontrava-se Rui Silva. Que perdeu no Santiago Bernabéu mas nem por isso deixou de ser destaque.

Com todas as atenções centradas na entrada de Alphonse Aréola para a baliza do Real Madrid (Courtois continua limitado fisicamente, apesar dos constantes comentários e comunicados do clube dizendo que o belga não sofreu um ataque de pânico ao intervalo do encontro com o Club Brugge), e com Carvajal a passar para a lateral esquerda face às lesões de Mendy, Marcelo e Nacho, foi na baliza do Granada que caíram todos os holofotes face ao caudal ofensivo dos merengues desde o primeiro minuto… quase literalmente: na sequência de um lance em que Roberto Soldado ficou a pedir penálti, Bale cruzou e Benzema inaugurou o marcador ao segundo poste (2′).

O francês provava mais uma vez que, entre a época intermitente do Real e muito condicionada pelos problemas físicos (e hoje voltou a cair mais um jogador, neste caso Kroos), está a assumir-se como a principal solução para resolver os problemas ofensivos, somando com esse golo o sétimo em 13 apontados pela equipa no Campeonato. E podia não ter ficado por aí, não fosse Rui Silva: Carvajal e Valverde tiveram oportunidades flagrantes que Rui Silva foi evitando como melhor unidade de um Granada que “caiu” apenas em cima do intervalo, com o segundo golo apontado por Hazard após um erro do central português Domingos Duarte (45’+1′).

Tudo apontava para uma vitória tranquila do Real, que fez dos melhores 45 minutos da temporada e aumentou a vantagem com um fantástico golo de Modric de fora da área, mas os fantasmas voltaram ao Santiago Bernabéu por culpa do maior fantasma de todos, a baliza – num lance sem perigo e onde teve tempo para dominar, ver e soltar a bola, Aréola deixou-se antecipar por Carlos Fernández, cometeu penálti e permitiu que Darwis Machís fizesse o 3-1, dando uma outra vida ao Granada que reduziu mesmo para a margem mínima pelo português Domingos Duarte no seguimento de uma bola parada que (mais uma vez) gelou o Santiago Bernabéu (77′).

Lá atrás, Rui Silva, que terminou o encontro com um total de sete defesas e foi o melhor dos visitantes, continuava a segurar o 3-2 que mantinha o jogo aberto mas nada conseguiu fazer já em período de descontos quando James Rodríguez surgiu isolado na área para apontar o 4-2 e fechar em definitivo as contas (90+2′), reforçando o primeiro lugar do Real Madrid antes dos encontros dos adversários diretos Atl. Madrid e Barcelona.