O jogo já levava 32 minutos e, depois de uma entrada a todo o gás com um golo, outro anulado e uma bola na trave, a Juventus tinha deixado o Inter empatar a partida que iria decidir a liderança da Serie A. Ou seja, este era um contexto de nervos. De tensão. De tudo aquilo que Cristiano Ronaldo não parecia sentir: recebendo a bola à entrada da área descaído sobre a esquerda, arriscou fintas com os malabarismos que o fizeram destacar-se quando era mais novo no Manchester United antes de um toque de calcanhar a dar seguimento à jogada. Confiança não faltava ao português. E confiança foi a ideia chave para o triunfo da Vecchia Signora em Milão.

Ciente da importância do encontro no Campeonato, e tentando confirmar a subida (no plano da qualidade coletiva e individual em termos exibicionais) registada depois dos triunfos com SPAL e Bayer Leverkusen, a Juventus não podia ter conseguido melhor entrada: Pjanic recuperou uma bola na zona do meio-campo, lançou de primeira Paolo Dybala na frente e o argentino inaugurou o marcador com um remate cruzado sem hipóteses para o número 1 Handanovic, que pouco depois viu Ronaldo disparar um míssil à trave da baliza do Inter (9′).

O conjunto de Milão ainda conseguiu chegar ao empate com uma grande penalidade de Lautaro Martínez (18′) mas foi a Juventus a manter a tendência principal do encontro, mais uma vez com Ronaldo em destaque com um golo marcado após combinação com Dybala que acabou por ser anulada devido à posição irregular do argentino no início da jogada, o que levou o jogo grande da sétima jornada do Campeonato com um empate para o intervalo.

Sarri foi tentando várias fórmulas para desfazer uma igualdade que seria mais positiva para a formação de Conte através das substituições, começando por trocar Khedira e Bernardeschi por Betancur e Higuaín (62′) antes de reforçar mais o corredor central com a entrada de Emre Can para o lugar de Dybala (71′). E seria por essa zona do terreno que nasceria o golo que decidiria o clássico transalpino, com a bola a passar pelos pés de Ronaldo antes da assistência de Betancur para o remate sem hipóteses de Higuaín para o 2-1 a dez minutos do final.

Cristiano Ronaldo terminou o jogo com um golo anulado, uma bola na trave mas um sorriso nos lábios, não só pela vitória da Juventus mas também pela confirmação da subida de forma depois de um arranque de época mais apagado, numa partida onde entre os sete remates e os 70 toques na bola voltou a ser um dos melhores.