Quatro jogos, nenhuma vitória. Exceção feita à vitória perante o modesto Rochdale para a Taça da Liga — que, ainda assim, só foi conquistada nas grandes penalidades –, o Manchester United não conseguiu vencer nenhuma das quatro últimas partidas. Perdeu com o West Ham para a Premier League, empatou com o Arsenal novamente para o Campeonato, voltou a empatar a meio da semana, com o AZ Alkmaar, na Liga Europa, e este domingo perde com o Newcastle.

A fase difícil da equipa de Ole Gunnar Solskjaer — que, mais do que uma fase, parece cada vez mais a certeza de que este Manchester United precisa de uma renovação profunda que traga de volta uma identidade que se afastou com a saída de Alex Ferguson — assenta também no grande volume de lesões e ausências. Este domingo, na antecâmara da visita ao Newcastle, os red devils não tinham Pogba, Wan-Bissaka, Martial, Lingard, Luke Shaw, Bailly e Phil Jones. Ora, de todos estes, os quatro primeiros são titulares indiscutíveis e os restantes três são titulares flutuantes mas opções de relevo na equipa tipo do Manchester United. Isto queria dizer que, além de ter de lidar com os resultados pouco positivos nas últimas semanas, a equipa de Solskjaer tinha este domingo de conjugar jogadores que não estão propriamente habituados a atuar juntos.

Face às ausências, Diogo Dalot era titular na direita da defesa, o jovem Tuanzebe era o companheiro de Maguire no eixo e Ashley Young assumia a esquerda, num papel que não lhe é propriamente natural. No meio-campo, Juan Mata e Fred eram as novidades no onze inicial e Solskjaer era mesmo obrigado a chamar os jovens Angel Gomes, Tahith Chong e Brandon Williams para o banco de suplentes. Numa primeira parte em que o Newcastle foi algo superior — não de forma exuberante mas por estar sempre mais perto da grande área de De Gea do que o Manchester United esteve da contrária –, a equipa da casa esteve mesmo perto de inaugurar o marcador graças a um grande remate de Matty Longstaff (que tem 19 anos e tornou-se o primeiro adolescente a começar um jogo pelos magpies desde 2014) que esbarrou na trave da baliza. Do outro lado, foi Maguire a falhar por pouco o golo, com um cabeceamento por cima, mesmo no último lance antes do intervalo.

Na segunda parte, e depois de uma subida de rendimento por parte do Manchester United, Diogo Dalot saiu lesionado e deu o lugar a Marcos Rojo e Juan Mata foi substituído pelo jovem Mason Greenwood. A ideia de Solskjaer era colocar Greenwood enquanto referência ofensiva e soltar Rashford para zonas mais interiores, num formato mais vagabundo, já que Pereira não estava a conseguir cumprir essas funções e Fred e McTominay estavam demasiado próximos para desenharem movimentos de rotura. Daniel James, entretanto, ia sendo o melhor dos red devils — tal como tem vindo a acontecer desde o início da temporada. As alterações trouxeram uma subida da qualidade do jogo do Manchester United, que ainda assim continuava a pecar na hora de decidir, fosse o remate ou o último passe. Do outro lado, o Newcastle ia assumindo aquela que tem sido a sua postura na Premier League desde o arranque da época e juntava as linhas nos metros em frente à grande área, saindo apenas em situações de transição e superioridade numérica.

Diogo Dalot foi titular mas acabou por sair lesionado já na segunda parte

Mas foi precisamente nesta altura, quando o Manchester United parecia assumir o controlo das ocorrências e o Newcastle recuava cada vez mais, que a equipa de Steve Bruce chegou ao golo. Num contra-ataque muito veloz conduzido por Saint-Maximin, que quase perdeu para Tuanzebe, o lateral Willems recebeu na esquerda e serviu Matty Longstaff à entrada da grande área. O médio inglês, que joga ao lado do irmão mais velho Sean, juntou um golo à estreia na Premier League e tornou inesquecível o momento do remate rasteiro que não deu hipóteses a De Gea (72′).

Com esta derrota, o Manchester United fica com apenas nove pontos na Premier League, dois acima da zona da despromoção onde estão, nesta altura, Everton, Norwich e Watford. Numa fase em que já se jogaram oito jornadas — e em que já não se pode propriamente falar em arranque da temporada –, a equipa de Solskjaer está a seis pontos do Arsenal, a sete do Manchester City e a 15 do líder Liverpool.