Lentamente, a Arábia Saudita vai aligeirando as restrições ultra-conservadoras que são impostas às mulheres que visitam o país em lazer. Agora, segundo a autoridade responsável pelo turismo, citada pelo The Guardian, novas diretrizes vão passar a permitir que as mulheres que viajem sozinhas possam alugar um quarto sem presença de um responsável do sexo masculino. Casais estrangeiros também vão passar a poder reservar um quarto partilhado sem terem de apresentar prova de matrimónio. 

Este aligeirar de limitações surge depois da introdução de uma nova política de vistos de turismo (que não existiam até então), mais uma prova de que o regime continua a tentar diversificar a sua economia “petróleo-dependente”, apostando, desta forma, no crescimento da receita proveniente do turismo.

A Comissão Saudita para o Turismo e a História Nacional anunciou estas medidas no passado domingo, através da sua conta oficial de twitter. Esta mudança surge na sequência de uma série de reformas profundas que começaram a aparecer no ano passado a mando do príncipe Mohammed bin Salman, que levantou a proibição de existirem salas de cinema, por exemplo, e a lei que impedia mulheres de conduzirem (este era o único país do mundo com uma medida semelhante).  

Apesar de tudo, os críticos do regime dizem que estas reformas hão de ter limites e que não apagam outros problemas. Dão como exemplo a morte do jornalista Jamal Khashoggi ou a tortura de várias ativistas pelos direitos das mulheres, ações que comprovam que ainda há demasiada repressão associada a todos que critiquem o regime.

O novo sistema de vistos de visitante foi anunciado há uma semana e apresentado como uma medida que procura promover o turismo e o seu impacto no PIB da Arábia Saudita — neste momento equivale a 3%, mas as autoridades querem que passe para 10%. A campanha de lançamento desta novidade começou por promover os cinco locais da Arábia Saudita que são classificados pela Unesco como património mundial, bem como galerias de arte contemporânea, o Mar Vermelho, o deserto e as zonas montanhosas.

O visto anual, que permite várias entradas no país e estadias até 90 dias, é o primeiro mecanismo deste género num país que nunca permitiu visitas cujo propósito fosse unicamente o turismo. A partir de agora, cidadãos dos 49 países previamente aprovados podem pedir online ou no momento da chegada o documento que permite a sua entrada — todas as outras nações terão de candidatar-se pessoalmente na embaixada ou consulado saudita mais próximo.

À parte destas medidas, o país decidiu ainda aligeirar o rígido código de vestuário imposto às mulheres turistas: têm de manter os ombros e joelhos tapados, mas não precisam de usar a abaya de corpo inteiro.