A maior parte dos materiais necessários para a produção das baterias mais sofisticadas do mercado, aquelas usadas maioritariamente em veículos eléctricos, provem e é processada um pouco por todo o lado. E os que se preocupam com a escassez destes produtos podem estar descansados, pois a Manufacturing Clean Energy afirma que a maioria está a ser retirada das minas a um ritmo que acompanha a procura e que, mesmo assim, as actuais minas não ultrapassam os 3% das reservas declaradas.

O material mais complicado é o cobalto. Não por ser o mais caro, mas porque a maioria é extraída na República do Congo (59%) e tanto os fabricantes de acumuladores, como as marcas de automóveis que os utilizam, não apreciam lidar com um produto que recorre ao trabalho de escravos e crianças para ser obtido. Daí que a tendência seja caminhar para a não utilização de cobalto (a Tesla diz que usa 0,5% e que, muito em breve, pensa cortar por completo), depois de há cinco anos a média rondar os 10% deste material.

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No que respeita aos restantes materiais, o lítio existe em quantidade. De momento, o que é utilizado pelos fabricantes de células de bateria é adquirido na Austrália (44%), Chile (34%) e Argentina (13%), sendo que no primeiro caso é retirado das rochas (a mesma origem do lítio que existe em Portugal), enquanto os outros dois países recorrem a água rica em sais de lítio. Se nem sempre é viável extraí-lo, o lítio não tem contudo fim à vista, por muitas baterias que se produzam.

O material mais abundante numa bateria moderna é o níquel, com tendência para aumentar, pois é a sua presença que as torna energeticamente mais densas, logo, melhores. Com a vantagem de tanto o níquel como o manganês – necessário sobretudo para estabilizar o níquel, que apresenta uma tendência acima da média para arder em condições extremas – existirem numa enormidade de países e em quantidade, pelo que o problema de escassez tão pouco se coloca.

Mais delicada será a utilização de grafite natural, uma vez que 67% é extraída na China, mas há mais países que a podem extrair, além da grafite sintética, pelo que também não é por este material, que é utilizado nos eléctrodos, que se vão deixar de produzir baterias.