Não deixa de ser curioso o facto de a Peugeot, uma das marcas do grupo francês PSA, liderado pelo português Carlos Tavares – que sempre se revelou pouco favorável aos veículos eléctricos, figurando entre os que menos têm investido nesta tecnologia -, venha agora admitir estar surpreendida pela aceitação da versão eléctrica do seu utilitário, o e-208. O fabricante gaulês estimou que apenas 10% do total das vendas da gama seriam relativas a esta versão, mas eis que as encomendas apontam para uma percentagem próxima dos 25%.

O CEO da Peugeot, Jean-Philippe Imparato, reconheceu que o aparelho produtivo arrancou com uma capacidade de produzir 10% de versões e-208, o valor apontado pelas previsões de vendas. Mas rapidamente os franceses se aperceberam que os cálculos pecavam por defeito, pois 25% das pré-encomendas visavam a versão eléctrica do utilitário e, mais do que isso, das 40.000 manifestações de interesse que receberam, de potenciais interessados em adquirir o novo 208, 50% foram relativas à versão movida a bateria.

Imparato admite que esta popularidade inicial do e-208 pode não se manter nos 50%, estando artificialmente elevada devido ao efeito dos early adopters, mas tudo indica que o potencial de vendas do modelo eléctrico seja superior ao previsto. O que poderá ser um problema, caso a marca perca dinheiro em cada e-208 que venda, uma vez que a PSA sempre foi um dos fabricantes que defendeu que ninguém está a ganhar dinheiro nos carros eléctricos.

Mas como o grupo francês necessita de vender automóveis eléctricos para cumprir o limite de 95g de CO2/km imposto por Bruxelas, para evitar multas pesadíssimas, Imparato avançou que já tratou de adaptar a produção à nova realidade. Pelo menos parcialmente, elevando para 20% o peso do e-208 no total da gama. Sem especificar se houve cortes na fabricação das versões com motor a gasolina ou a gasóleo, o CEO antecipa produzir cerca de 300.000 unidades do 208 eléctrico por ano.

O Peugeot e-208 monta um motor eléctrico de 100 kW (136 cv), o que lhe permite ir de 0 a 100 km/h em apenas 8,1 segundos. A bateria que o alimenta possui uma capacidade de 50 kWh, o que garante uma autonomia de 340 km segundo o método WLTP. Segundo o fabricante, o e-208 tem um custo total de utilização (considerando preço e custo de energia) similar ao 208 com motor a gasolina de 130 cv.