A chanceler da Alemanhã, Angela Merkel, disse na manhã desta terça-feira ao primeiro-ministro britânica, Boris Johnson, que a possibilidade de haver um acordo o Brexit é “imensamente improvável” e até “essencialmente impossível”.

Quem dá conta dessa chamada é o próprio governo britânico, mais especificamente o gabinete do primeiro-ministro. Uma fonte do número 10 de Downing Street disse ainda à Sky News que a chamada entre os dois líderes foi “um momento muito útil e clarificador de todas as maneiras”, até porque terá sido deixado claro que “um acordo é essencialmente impossível não apenas agora mas em qualquer altura”.

O relato da conversa surge do gabinete do primeiro-ministro britânico e, até agora, não há confirmação do mesmo conteúdo por parte do governo germânico.

Grande parte da conversa ter-se-á concentrado na questão a fronteira da Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) com a República da Irlanda. A saída do Reino Unido da união aduaneira (uma exigência da UE) e o desejo de manter aquela fronteira aberta (conforme estipulado no Acordo de Sexta-Feira Santa ou Acordo de Belfast, em 1998) têm demonstrado ser um verdadeiro quebra-cabeças num cenário de Brexit.

A UE e a ex-primeira-ministra Theresa May acordaram o sistema de backstop (uma espécie de mecanismo que funcionaria como seguro para prevenir uma fronteira rígida entre os dois países), solução que manteria aquela fronteira aberta, tal como está hoje, mesmo em caso de Brexit. No entanto, os bens levados para a Irlanda do Norte do resto do Reino Unido teriam de ser sujeitos a um controlo de qualidade.

Boris Johnson, tal como os deputados pró-Brexit já o têm feito, tem rejeitado esta hipótese. E, em alternativa, na semana passada, Boris Johnson apresentou uma proposta para a fronteira da Irlanda do Norte que dizia “apagar o dito backstop“.

Na proposta de Boris Johnson, foi apresentado um sistema em que a Irlanda do Norte e a República da Irlanda estariam em duas zonas aduaneiras distintas. O primeiro-ministro garantiu ainda um sistema sem uma fronteira rígida, em que os bens em trânsito de um lado para o outro da fronteira seriam controlados eletronicamente.

Esta proposta foi recusada numa fase inicial pela Irlanda e, depois, pela União Europeia. Sem este assunto resolvido, e sem um acordo entre as várias partes em jogo, o Reino Unido avança para a data limite para a saída da UE: 31 de outubro.

O primeiro-ministro britânico já disse que preferia ficar “morto numa valeta” a pedir um novo adiamento da data para o Brexit. Porém, os advogados do governo já disseram que o executivo irá cumprir a lei Benn, que estipula que o Reino Unido deve pedir um adiamento se até 19 de outubro não houver um acordo com Bruxelas.

Em reação ao relato que surgiu do número 10 de Downing Street, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, dirigiu-se ao primeiro-ministro britânico no Twitter, para lhe dizer que “o que está em causa não é um jogo de passa-culpas estúpido”.

“O que está em causa é o futuro da Europa e do Reino Unido, tal como a segurança e os interesses do nosso povo. Não quer um acordo, não quer uma extensão do prazo, não quer uma revogação, quo vadis?”, disse, empregando a expressão latina que significa algo como “para onde vais?”.