A Casa Branca informou esta terça-feira o Congresso dos Estados Unidos que se recusa a participar no inquérito em curso para um eventual processo de destituição do Presidente Donald Trump. A administração Trump considera que o órgão legislativo não tem legitimidade para liderar tal processo e decidiu cessar a entrega voluntária de testemunhos e documentos.

“As ações sem precedentes [do Congresso] deixaram o Presidente sem escolha”, escreveu Pat Cipollone, advogado e conselheiro da Casa Branca, numa carta enviada Nancy Pellosi, a democrata que é presidente da Câmara dos Representantes. “Para poder cumprir as suas obrigações para com o povo norte-americano, a Constituição, o poder Executivo e com todos os futuros ocupantes da Presidência, o Presidente Trump e a sua administração não podem participar neste inquérito parcial e inconstitucional sob estas circunstâncias”, pode ser lido na carta de oito páginas a que o The New York Times teve acesso.

A decisão, segundo o jornal norte-americano, é ousada e pode antever uma guerra constitucional. A carta foi divulgada horas depois do cancelamento da entrevista de Gordon Sondland, o embaixador norte-americano para a União Europeia, uma testemunha-chave no processo de destituição de Trump após a revelação da transcrição da conversa entre o presidente norte-americano e o homólogo ucraniano.

As ordens partiram do Departamento de Estado, de acordo com o advogado de Gordon D. Sondland, mas foi corroborada por Donald Trump no Twitter.

“Adoraria enviar o embaixador Sondland, um bom homem e um grande americano, para testemunhar, mas infelizmente ele estaria a testemunhar perante um tribunal de cangurus [expressão coloquial usada para designar julgamentos sem provas], onde os direitos dos republicanos foram apagados e os factos verdadeiros não são mostrados ao público”, escreveu.

Democratas recentemente acusaram o governo norte-americano de obstrução. O diretor do Comité de Informações da Câmara dos Representantes, o democrata Adam Schiff, disse que o impedimento é “mais uma forte prova da obstrução das funções constitucionais do Congresso” por parte do governo de Donald Trump. Adam Schiff acrescentou ainda que o Departamento de Estado bloqueou também o acesso por parte daquele comité a mensagens no telemóvel privado do diplomata.

“Sabemos que o embaixador tem mensagens e emails num aparelho pessoal que foram dadas ao Departamento de Estado. Embora tenhamos solicitado essas mensagens ao embaixador, o Departamento de Estado está a guardá-las”, disse Adam Schiff.