O think-tank Institute for Fiscal Studies (IFS) publicou um estudo onde alerta que a dívida pública do Reino Unido poderá subir para perto dos 90% se o governo de Boris Johnson mantiver o seu plano para aumentar a despesa em áreas como a educação e a saúde e, ao mesmo tempo, houver um Brexit sem acordo com Bruxelas.

De acordo com o IFS, o nível da dívida do Reino Unido pode assim bater num nível perto dos 90% do PIB britânico já em 2020 — o que poderá significar que o Reino Unido pode passar a ter a maior dívida pública desde 1966, ano em que esse valor se fixou nos 91,95%.

Seja como for, a subida da dívida pública britânica seria pouco mais do que a continuação de um trajeto generalizado das últimas duas décadas, pese embora o facto de os últimos dois anos terem feito coincidir uma descida tímida da dívida pública ao mesmo tempo que a economia registou um crescimento anémico, nunca acima dos 0,8% do PIB.

Os últimos dados oficiais da dívida pública britânica, divulgados em março deste ano, apontam para 85,2% do PIB — um valor que por si só já é historicamente elevado, sendo o maior desde 1968.

A dívida pública britânica registou um período de subida ano após ano entre 2001/2002 e 2016/2017, passando dos 33,7% para os 86,5% do PIB. Desde 2016/2017, a dívida pública britânica tem vindo a diminuir timidamente, assentando nos 85,2% atuais (a 18 de outubro, serão divulgados novos dados provisórios). Essa tendência de descida recente poderá ser contrariada pela incerteza de um hard Brexit aliada a um aumento da despesa pública, avisa do IFS.

“Podemos acabar numa espiral ascendente da dívida e do défice e numa situação em que teríamos de atravessar outro período de austeridade para resolver o problema”, disse o diretor do IFS, Paul Johnson, citado pelo The Guardian.

O mesmo responsável deixa críticas ao plano do governo de Boris Johnson: “O governo está à deriva, sem qualquer âncora fiscal. Perante os sinais extraordinários de incerteza e riscos que a economia e as finanças públicas têm pela frente, não se deveria estar a tentar oferecer ainda mais baixas de impostos generalizadas em qualquer orçamento daqui em diante”.