A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai passar a cobrar 88,4 cêntimos por transferência feita via MB Way, mas apenas para quem tem mais de 26 anos ou use a aplicação da SIBS. Já os que optarem pela aplicação do próprio banco, a transferência continuará a ser gratuita, confirmou ao Observador fonte oficial da instituição.

Na terça-feira, a instituição liderada por Paulo Macedo publicou uma atualização do preçário, com entrada em vigor em janeiro de 2020, como noticiado primeiramente pelo jornal Eco. Entre as alterações está a cobrança de 88,4 cêntimos (85 cêntimos a que acresce uma taxa de 4% de imposto de selo) por transferência feita por MB Way, a partir de 25 de janeiro. Ficam isentos deste custo os clientes com menos de 26 anos (cerca de 700 mil) e os que têm uma Conta Caixa (cerca de 1,7 milhões de clientes) — embora “até ao limite definido de transferências para cada Conta Caixa“. Nas App Caixadirecta e Caixa Easy não serão cobradas comissões de transferência.

No anterior preçário da CGD já constava uma comissão para transferências feitas através do MB Way (de 20 cêntimos por transferência) e através da aplicação da própria CGD (de 15 cêntimos), mas não estava a ser cobrada. O primeiro valor vai, assim, subir para os 88,4 cêntimos no próximo ano (ainda assim, abaixo do cobrado pela concorrência). O segundo, confirmou a instituição ao Observador, vai continuar a não ser cobrado, embora conste no preçário.

A tendência de cobrança por transferência MB Way está a chegar aos vários bancos (BPI, BCP, Crédito Agrícola e Santander já cobram), o que, ainda assim, não travou o número de operações, que aumentaram cerca de 35% entre o final de 2018 e agosto de 2019, como já escreveu o Observador. Na terça-feira, a Deco revelou que 24 mil consumidores já reclamaram contra as comissões sobre transferências MB Way.

Já nas chamadas “Contas Pacote”, os clientes com a “Conta Caixa S”, a mais básica, terão a mensalidade aumentada a partir de 25 de janeiro. Aqueles que beneficiam de uma bonificação veem os custos subir de 2,912 euros para 3,328 (o que significa uma mudança de pouco mais de 5 euros por ano). Já quem não tem bonificação irá pagar quase mais 12 euros por ano — passando de 4,16 euros mensais para 5,148 euros.

Por outro lado, haverá um aumento do número de transferências bancárias sem custos (de duas por mês, passarão a ser quatro, incluindo as transferências por MB Way). A “Conta Caixa M”  também vai permitir mais transferências sem custos — de três para cinco. Na “Caixa L”, tal como antes, não vão existir limites. Os custos mensais na M e L mantêm-se.

Por outro lado, na Conta Caixa Azul, haverá ainda uma diminuição do valor da comissão (de 7,28 euros mensais para 5,20 euros) nas contas que têm bonificação, mas, para tal, além da domiciliação de rendimentos, serão necessárias duas ou mais autorizações de débito na conta associada.

Nas cadernetas também haverá mudanças. Quem pretender fazer levantamentos de dinheiro ao balcão e apresentar a caderneta terá de pagar 3,12 euros (antes era 2,86 euros). Mantêm-se, porém, as isenções previstas — no caso de levantamentos efetuados por clientes com mais de 65 anos, com rendimentos e património financeiro mais reduzidos, mas apenas até dois levantamentos por mês (antes eram três).

A atualização de cadernetas ao balcão também fica mais cara: passa de 1,04 euros, para dobro, 2,08 euros permanecendo a isenção quando existe uma indisponibilidade da caixa multibanco ou uma incapacidade do cliente para a utilização de dispositivos automáticos.

Os cheques, que têm custos para o banco, ficam mais caros nalguns casos, a partir do primeiro dia do próximo ano. Por exemplo, a entrega imediata de três cheques na rede da Caixa passar a custar 5,35 euros.

No caso do crédito à habitação, as prestações vão encarecer. A “comissão de processamento mensal” para os clientes residentes no continente e ilhas passa, a 25 de março, a custar 2,86 euros por mês (34,32 euros por ano, mais 3,12 euros por ano).