O líder do Partido Social Liberal (PSL) brasileiro, Luciano Bivar, respondeu esta quarta-feira às declarações de Jair Bolsonaro a dizer que o Presidente “já está afastado” do partido e que fala foi “terminal”, além de ter convocado uma reunião de emergência com participantes da cúpula e com o ministro da Justiça, Sérgio Moro.

A fala dele foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido”, disse Bivar, em declarações ao site de notícias G1.

Em causa estão as declarações de Bolsonaro feitas esta terça-feira a um apoiante que se apresentou fora do Palácio do Planalto, residência oficial da presidência, como um pré-candidato do PSL no estado de Pernambuco. Em vídeo, é possível ver o apoiante a abordar Bolsonaro e dizer: “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife [capital do Pernambuco]”, ao que o Presidente então responde: “Esquece o PSL, tá ok? Esquece”. Logo depois, Bolsonaro ainda aconselha que o apoiante não divulgue o vídeo porque “ele [Bivar] tá queimado pra caramba. Esquece esse cara, esquece o partido”.

[Veja aqui o vídeo do momento, captado por um utilizador:]

O que pretendemos é viabilizar o país. Não vai alterar nada se Bolsonaro sair, seguiremos apoiando medidas fundamentais. A declaração de ontem foi terminal, ele disse que está afastado. Não estamos em grêmio estudantil. Ele pode levar tudo do partido, só não pode levar a dignidade, o sentimento liberal que temos e o compromisso com o combate à corrupção“, concluiu Bivar.

O líder solicitou uma reunião com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e terá declarado que nada muda em relação aos apoios e medidas já adotados pelo Governo brasileiro, e que são apoiados pelo PSL, afirmando que o partido estará “sempre com os ministros”.

No meio da crise nas relações com o presidente brasileiro, Bivar afirmou também ter despedido a advogada em comum entre o PSL e Bolsonaro, Karina Kufa, alegando “quebra de confiança”. Kufa já desmentiu a informação ao jornal O Globo, que declarou ter decidido previamente não renovar o contrato com o partido, justificando a decisão um conflito de interesse entre os dois clientes.

Caso a saída de Bolsonaro se venha a concretizar oficialmente, resta apenas uma opção ao Presidente do Brasil: mudar de partido. Em cima da mesa podem estar duas alternativas, o Partido Patriota (criado em 2011 e que não possui representantes na Câmara dos Deputados ou do Senado), e a União Democrática Nacional (UDN), um partido fundado em 1945 e que foi extinto com o início da ditadura militar brasileira, em 1965. A UDN está em vias de ser novamente recuperada pelos apoiantes de Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, que atualmente é deputado também pelo PSL. O seu estatuto será renovado, com o novo nome de Conservadores.