O primeiro piso de um parque de estacionamento em Lisboa, no bairro da Graça, permanece encerrado até nota em contrário para salvaguardar a privacidade do palácio vizinho, adquirido em outubro de 2017 por José María Cano, artista visual espanhol, músico, compositor e produtor musical. O caso, que foi noticiado pelo jornal Sol e agora reproduzido na imprensa espanhola, está em tribunal e à falta de decisão o piso em questão vai continuar encerrado ao público (apenas o nível 0 está acessível).

Em causa está um parque de estacionamento construído pela EMEL a pensar nos moradores da Graça, em Lisboa, e o palácio a ele colado — o nome oficial é Palácio Teles de Menezes, data do século XVII e foi comprado por 3,5 milhões de euros pelo artista espanhol, menos de metade do que o valor pelo qual foi colocado à venda em 2015 (7,8 milhões).

À data da aquisição do palácio, o parque de estacionamento ainda não existia. Ao jornal já citado, a EMEL explicou que no decorrer da construção do parque, no ano passado, “o proprietário de um prédio vizinho, situado na rua de São Vicente, comunicou que considerava que a construção em curso punha em causa a segurança e a privacidade da sua habitação”. Feita a comunicação, deu-se início a um procedimento, ainda na fase de construção, para estudar “a possibilidade de alteração do projeto arquitetónico do parque para acomodar as pretensões do vizinho”, lê-se ainda no esclarecimento que a EMEL enviou ao Sol. Esta proposta encontra-se em processo de licenciamento na Câmara Municipal de Lisboa.

José María Cano ©AFP/Getty Images

O parque ainda não estava concluído quando a EMEL colocou telas temporárias para limitar a visibilidade para o palácio. No entanto, após a inauguração desta infraestrutura, a 29 de novembro de 2018, o artista espanhol interpôs uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa para “impedir a abertura ao público do parque de estacionamento”. Ao Sol, a entidade já citada confirma que apenas o piso 0 se encontra em funcionamento, “uma vez que a solução temporária instalada no piso 1 é provisória”.

O Palácio Teles de Menezes já antes foi motivo de notícia pelas festas que acolhe. Em maio do ano passado, José María Cano, ex-membro da banda pop Mecano, recebeu 200 convidados no palácio para um baile de máscaras veneziano para celebrar o aniversário de uma amiga, a empresária espanhola Sandra García San Juan. Para este baile secreto, os convidados vieram mascarados a rigor e, segundo o El País, da guestlist faziam parte várias figuras públicas espanholas, o embaixador espanhol em Portugal e também alguns convidados portugueses, entre eles membros da família Espírito Santo. O Sol acrescenta mais um nome: António Costa, que esta terça-feira foi indigitado, pela segunda-vez, primeiro-ministro de Portugal.

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O baile passou despercebido em Portugal. Ainda assim, nomes da alta sociedade espanhola e europeia partilharam alguns dos momentos nas redes socais. A festa fez parte de um programa de fim de semana. Amigos do anfitrião e da aniversariante terão vindo a Lisboa para passar alguns dias dedicados à arte. Estiveram no MAAT e na JustLX, uma feira de arte que decorreu durante quatro dias no Museu da Carris, em Alcântara. Já mais perto do palácio onde decorreu a festa, alguns dos convidados aproveitaram também para conhecer a Feira da Ladra.

Dois terços da área total do palácio (3.000 m2) são jardins e terraços, pelo que, muito provavelmente, grande parte da festa terá sido no exterior. Com 400 anos de história, o edifício tem sido reabilitado pelo proprietário, mas o valor histórico e patrimonial impôs algumas limitações à festa. A senhoras tiveram de deixar os grandes saltos altos em casa, para não danificar o chão.