O número de estudantes estrangeiros na Universidade do Porto tem vindo a crescer. De acordo com os dados fornecidos ao Observador, neste ano letivo, há 5.347 estudantes internacionais nesta instituição de ensino, ou seja, 20% do total de inscritos. Há cinco anos, no ano letivo 2015/2016, os estudantes internacionais representavam 12% do total, eram 3.423. A universidade encontra-se agora preparada para receber mais de 6.000 estudantes internacionais, oriundos de 90 países.

Este crescimento deve-se especialmente ao aumento do número de estudantes que escolhem a Universidade do Porto para realizar ciclos de estudos completos, e não tanto aos que vêm através de programas de mobilidade.

Maria de Lurdes Correia Fernandes, vice-reitora da Universidade do Porto, está convencida de que o fenómeno se deve à qualidade do ensino prestado, mas também à atratividade da região. “Veja-se o que é o turismo do Porto nos dias de hoje. Saímos à rua aqui no centro e ouvimos as línguas todas, quase não ouvimos português”, disse ao Observador.

Estes fatores permitem que se verifique este aumento de alunos na universidade, mas quando comparados com a procura, percebe-se que ainda há margem para crescer: “Porque a procura é bastante maior do que os estudantes que acabam matriculados”, sublinha a vice-reitora, para quem a “ultrapassagem” da região Norte (que conta com 12.781 alunos estrangeiros) relativamente à Área Metropolitana de Lisboa também espelha os resultados do turismo.

“A região Norte não estava habitualmente nas linhas do turismo internacional”, refere Maria de Lurdes Correia Fernandes, acrescentando que “o custo de vida não tão elevado” poderá ser outro fator preponderante na hora de escolher uma universidade portuguesa.

No ano letivo em curso, a universidade terá 3.801 alunos a frequentar licenciaturas, mestrados e doutoramentos e apenas 1.546 a a frequentar a universidade por períodos mais curtos, através de programas de mobilidade.

Estes alunos são, para a vice-reitora, “um enriquecimento da universidade e um contributo importante que damos aos estudantes portugueses que escolhem a Universidade do Porto e que não têm possibilidade de fazer um programa de mobilidade. Desta maneira, têm aquilo que chamamos ‘internacionalização em casa’.

Em 2018,  a instituição registou o maior número de estudantes de mobilidade: 2.758 alunos, ou seja, 9% do total de alunos da universidade — que também é a instituição portuguesa que tem o maior número de projetos Erasmus + aprovados e financiados. Estes estudantes, ao contrários dos portugueses, pagam o custo real do ensino que, no caso da Universidade do Porto, pode variar entre os 3 e os 8 mil euros.

“Uma aposta na internacionalização”, diz a vice-reitora,”que visa contribuir para que a Universidade seja, não uma universidade regional ou local, mas uma universidade que ombreia com as melhores do mundo”.

35,7% dos estudantes estrangeiros estão na região Norte

A região norte ultrapassou a área metropolitana de Lisboa na presença de estudantes estrangeiros no ensino superior e “merece um especial destaque” nos resultados do Inquérito ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior, divulgados pela DGEEC (Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência).

De facto, a região norte foi a que assinalou também o maior aumento — 40,2%. Se, no ano letivo de 2017/2018 havia 9.116 alunos estrangeiros, no seguinte eram já 12.781. O norte chegou mesmo a ultrapassar a Área Metropolitana de Lisboa (35,2%) em 183 alunos. Em 2014/15, Lisboa detinha 44% daqueles alunos e o norte apenas 29%.

O maior aumento no número de inscritos em mobilidade internacional também se deu na região norte: foram mais 321 alunos do que no ano letivo passado. Há agora 5.388 alunos internacionais nestes programas.

O Brasil domina entre os internacionais e elas também

O Brasil domina em larga maioria a lista de países de origem dos alunos internacionais em Portugal: 62% dos alunos daquele país chegam a Portugal para completar um ciclo de estudos completo e 32% dos alunos chega em regime de mobilidade.

No ano letivo anterior, houve 17.066 alunos inscritos através de programas de mobilidade internacional, como o Erasmus, e 61,9% eram mulheres.