O próximo ano vai ser, muito provavelmente, o mais complicado que a indústria automóvel europeia viveu até hoje. Além de todos esforços a que habitualmente se dedicam para comercializar o maior número de veículos possível, sem entrar em descontos e campanhas que absorvam as margens de lucro, os fabricantes vão passar os 365 dias do ano a fazer contas. Tudo porque a média de emissões de dióxido de carbono (CO2) tem de ficar abaixo dos 95 g de CO2/km, salvo raras excepções, devidas ao peso dos veículos e ao volume de vendas.

As multas para quem falhar o objectivo podem ascender a vários milhares de milhões de euros. Para evitá-las, Carlos Tavares, o português que comanda a PSA, afirmou em Março que o grupo francês necessitaria de vender 7% de veículos eléctricos e electrificados (sobretudo híbridos plug-in) em 2020, se a procura por motores diesel continuasse a cair até aos 10%.

Dificultando ainda mais o cumprimento das novas metas, a procura por SUV – modelos mais altos, mais pesados e menos aerodinâmicos – não ajuda em absoluto à redução das emissões, pois tradicionalmente esta classe de veículos consome mais e, logo, polui mais do que as tradicionais berlinas e carrinhas.

Mas o CEO da Peugeot, Jean-Philippe Imparato, garante que a sua marca não irá pagar multas e que não espera encontrar dificuldades em cumprir o limite dos 95 g em 2020. Em declarações à Automotive News, o responsável máximo da marca do leão garantiu que “a produção prevista para Outubro, que se traduzirá em vendas em Janeiro, atinge uma média de 93 g de CO2”. Ou seja, abaixo da fasquia do que o fabricante tem de cumprir no acumulado do próximo ano.

O CEO explica que este resultado se deve ao facto de a quebra da procura por motores a gasóleo ter sido inferior à inicialmente estimada, uma vez que agora se espera que ronde os 20 a 25%. Como os diesel emitem menos CO2, está explicado o “milagre”.

Para conseguir respeitar os 95 g de CO2, as marcas vão socorrer-se de todas as “armas” que estiverem ao seu alcance, pois as penalidades em que incorrem poderiam levar muitas à falência. Para evitar esse cenário, desenham-se várias escapatórias. Desde logo, a possibilidade de suspender as vendas dos modelos e das versões mais poluentes, com Imparato a admitir que a Peugeot pretende controlar de forma apertada, no final de cada semana, a média de emissões.

Outra solução passará por registar um elevado número de veículos híbridos plug-in ou eléctricos, para baixar a média artificialmente. Isto pode levar a prejuízos ou a lucros inferiores, mas menores do que as multas previstas.