Esta semana, o primeiro golo de Cristiano Ronaldo enquanto jogador profissional fez 17 anos. Foi em outubro de 2002, ao serviço do Sporting e contra o Moreirense, pela mão de Bölöni e ao lado de Beto, Paulo Bento e Jardel. Nesse dia, no antigo Estádio José Alvalade, Cristiano deixou desde logo perceber que nunca conheceria o que são serviços mínimos ou gestão de esforço: estreou-se a marcar como profissional aos 34 minutos e no segundo de descontos ainda bisou, confirmando uma vitória dos leões com a equipa de Moreira de Cónegos que ainda teve um golo do bielorusso Kutuzov.

Passaram 17 anos. E em 17 anos, Cristiano Ronaldo saiu do Sporting, passou por Manchester United e Real Madrid e está agora na Juventus. Pelo meio, tornou-se o jogador mais internacional de sempre pela Seleção Nacional e ainda o segundo maior goleador da história a nível de seleções. Mais do que isso, e em 17 anos, Cristiano Ronaldo marcou mais 696 golos depois daqueles dois apontados ao Moreirense. Esta sexta-feira, não no mesmo estádio mas quase no mesmo sítio e no recinto com o mesmo nome que aquele onde tudo começou, o capitão da seleção portuguesa poderia ter chegado ao registo impressionante dos 700 golos enquanto jogador profissional de futebol. Precisava de marcar dois golos ao Luxemburgo, marcou um e somou 699: o 700.º pode surgir já na segunda-feira, contra a Ucrânia. Entretanto, marcou o golo 94 pela Seleção e voltou a encurtar a diferença para os 109 do iraniano Ali Daei, o recordista absoluto no que toca às seleções.

Já era, e continua a ser, o maior goleador ativo, já que leva agora 27 golos de avanço para Lionel Messi (Suárez, Lewandowski e Agüero completam o top five). Esta sexta-feira, antes ainda de se saber se Cristiano Ronaldo chegava ou não às sete centenas de golos, o jornal Marca fez o exame à veia goleadora do jogador português e analisou praticamente todos os aspetos. Em 973 jogos disputados, o avançado marcou em 458 e, apesar dos números impressionantes, ficou em branco na maioria, em 515. Ao longo de 223 adversários, marcou a 152 diferentes e só poupou 71. Marcou orientado por 13 treinadores distintos e tem uma média de um golo a cada 112 minutos. Tem mais golos na segunda parte do que na primeira e a grande mancha goleadora é mesmo no quarto de hora final, entre os 75′ e os 90′ (o primeiro quarto de hora é o período em que marca menos).

Mesmo não integrando, por agora, o restrito grupo de jogadores que tem 700 ou mais golos, o jogador português entrou noutro: igualou Iniesta com 96 vitórias pela respetiva seleção e só tem menos do que os também espanhóis Xavi (100), Casillas (121) e Sergio Ramos (123). Portugal vence há cinco jogos consecutivos, algo que não acontecia desde novembro de 2017, chegou aos 207 golos em qualificações para o Euro, ultrapassando a Itália, e às 64 vitórias, igualando a França com menos seis do que as seleções italiana e inglesa. Na flash interview, Fernando Santos assumiu que é necessário “pensar já na Ucrânia”. “Este já está, mas tal como o da Ucrânia era um jogo fundamental para acabarmos em primeiro no grupo. Tínhamos quatro finais e esse era o nosso objetivo”, disse o selecionador nacional.

“Tivemos uns primeiros 25 minutos muito bons, a jogar bem, no pé e na profundidade e a desorganizarmos a equipa do Luxemburgo. A partir daí tornámos o jogo mais previsível e o Luxemburgo procurou sair a jogar e obrigou-nos a correr. Na segunda parte entrámos melhor, fizemos o segundo e, a partir daí, os jogadores também já estavam com a cabeça na Ucrânia e até eu próprio — o que não é normal para mim -., mas comecei a pensar nisso e a fazer gestão de esforço”, reconheceu, garantindo desde já que o jogo de segunda-feira com a seleção que é atualmente líder do Grupo B “vai ser uma final, seguramente”.