Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, reunidos esta segunda-feira no Luxemburgo, vão discutir a ofensiva militar lançada pela Turquia contra milícias curdas na Síria, dias antes de um Conselho Europeu no qual os 28 poderão decidir sanções.

A França, um dos países europeus que mais se insurgiu contra a intervenção militar turca no nordeste da Síria, já indicou na passada sexta-feira que a cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE agendada para 17 e 18 de outubro em Bruxelas vai debater a possibilidade de sanções contra a Turquia, face à ofensiva de Ancara contra as forças curdas, aliadas do ‘Ocidente’ na luta contra os radicais islâmicos.

A ofensiva turca, de grande escala, tem como objetivo afastar do norte da Síria as milícias curdas YPG consideradas pela Turquia como “grupo terrorista”.

Na quinta-feira, o Presidente da Turquia ameaçou a União Europeia, afirmando que se Bruxelas classificar a operação militar como “invasão”, Ancara abre “as portas” aos refugiados sírios que se encontram no país, no que já foi classificado como uma “chantagem completamente despropositada” pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

“A Turquia tem que perceber que a nossa maior preocupação é com o facto de as suas ações poderem provocar uma nova catástrofe humanitária, o que é inaceitável, e que nós nunca aceitaremos que os refugiados sejam usados como arma para nos chantagear”, disse Tusk.

O Governo português, que estará representado na reunião de hoje no Luxemburgo pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, já disse também acompanhar com “muita preocupação” a ofensiva militar da Turquia no nordeste da Síria, que considera poder comprometer “objetivos prioritários” da coligação internacional contra o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).

“Portugal considera que a presente ofensiva pode seriamente pôr em causa objetivos prioritários da comunidade internacional e da coligação Internacional contra o Daesh (acrónimo em árabe do EI), nomeadamente a luta contra grupos terroristas que ainda operam no território sírio, para além de ameaçar a segurança dos parceiros locais da coligação global que foram fundamentais para a derrota do Estado Islâmico”, lê-se no comunicado divulgado na passada sexta-feira pelo Governo, que deverá reiterar esta posição hoje no Conselho.