O jogo era entre Ucrânia e Portugal mas esse compromisso às vezes quase assumiu um papel secundário por estes dias perante um outro “jogo” há muito aguardado entre a baliza e um dos eternos adversários na última década e meia: Cristiano Ronaldo. Apesar das divergências estatísticas (algumas publicações atribuem mais um remate certeiro), o avançado português chegava a Kiev à beira do golo 700 na carreira, depois do chapéu de aba larga e sucesso garantido frente ao Luxemburgo em Alvalade na passada sexta-feira. Agora, chegou lá.

Preparando aquilo que seria uma inevitabilidade a partir do momento em que o jogador da Juventus entrou em campo com a braçadeira da Seleção Nacional em campo esta segunda-feira, o jornal A Bola fez um levantamento de todos os golos e chegou a algumas conclusões interessantes e que mostram bem do extraterrestre em causa que, aos 34 anos, continua com a mesma sede de bater recordes que tinha quando fez o golo 1 ainda antes dos 18, num Sporting-Moreirense da sexta jornada do Campeonato de 2002/03 – com a curiosidade de ter bisado nessa partida e de ter fugido ao cartão amarelo apesar de ter celebrado tirando a camisola.

Ao todo, e em 17 anos, Ronaldo apontou um total de 595 golos na área e 444 de pé direito (fazendo tantos depois de cabeça como de pé esquerdo), entre os mais de 150 adversários a quem conseguiu marcar em 21 competições distintas entre provas nacionais, europeias e mundiais nas cinco equipas que representou como sénior desde a estreia, em 2002: Sporting, Manchester United, Seleção Nacional, Real Madrid e Juventus. Ao todo, o português foi o sexto jogador da história a chegar à fasquia dos 700 golos oficiais, depois de Josef Bican (762 golos em 497 jogos), Romário (758 golos em 980 jogos), Pelé (757 golos em 815 jogos), Gerd Müller (721 golos em 769 jogos) e Ferenc Puskás (709 golos em 720 jogos).

Entre tantos e tantos recordes que entretanto foi alcançando (a busca rápida na página do jogador na Wikipédia mostra dezenas e dezenas de registos históricos), entre os quais ser o melhor marcador da história do Real Madrid ou da Liga dos Campeões, o português persegue agora uma última marca que aparentava ser impossível mas que se tornou um objetivo bem mais “capaz” com a subida de eficácia nos últimos jogos por Portugal: ser o melhor marcador de seleções, marca que pertence nesta altura ao iraniano Ali Daei (109).

Além dos dois últimos encontros na qualificação para o Campeonato da Europa de 2020, a que se seguirão ainda particulares antes da fase final da prova onde Portugal tentará defender o título conquistado em 2016, Ronaldo deverá fazer ainda o apuramento para o próximo Campeonato do Mundo, no Qatar em 2022.