O município de Santa Maria da Feira revelou esta terça-feira que irá requalificar o cais de Porto Carvoeiro, povoado da freguesia de Canedo classificado como Aldeia de Portugal, para facilitar ancoragem comercial e privada nessa margem do rio Douro.

Em declarações à Lusa, o presidente dessa autarquia do distrito de Aveiro, Emídio Sousa, afirmou que “o projeto concretiza uma ambição do território com cerca de 20 anos e vai permitir, além da requalificação do cais, também uma regeneração urbana muito significativa naquele núcleo habitacional”.

Com um custo estimado em cerca de dois milhões de euros, a obra vai ser objeto de uma candidatura a fundos comunitários em novembro, sendo que a comparticipação a atribuir ao projeto corresponderá à componente financeira da autarquia, numa percentagem máxima de 85%, e “a parte não financiada será suportada pela APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo”. A expectativa da Câmara da Feira é que a obra possa arrancar em 2021 e ficar concluída entre meados de 2023 e 2024.

O projeto já definido prevê a construção de “um cais fixo com 70 metros de comprimento”, no qual possam acostar embarcações turísticas e comerciais, e ainda a criação de “um cais flutuante com 72 metros”, para receber cerca de 20 embarcações de recreio e de pesca. Com esse objetivo em vista, a margem costeira da aldeia avançará cerca de 14 metros em direção ao rio, graças à criação de um terraplano com cerca de 1.700 metros quadrados. Será nessa nova superfície que se situará, a montante, o cais para embarcações turísticas e comerciais, e, a jusante, o destinado a barcos de pesca e recreio.

Emídio Sousa adiantou que, para melhorar as condições de acesso a esses dois novos cais, também será requalificada a praça principal de Porto Carvoeiro, junto ao rio, e construído um novo arruamento de acesso ao local, “com zonas de estacionamento para viaturas ligeiras”. Essas novas valências serão urbanisticamente integradas “no arranjo geral das obras fluviais“.

O autarca encara toda a empreitada como “uma alavanca fundamental” para a recuperação do povoado – que, ao longo dos últimos anos e apesar dos esforços de entidades como a que aí vem promovendo o programa cultural “Há Festa na Aldeia”, vem registando um gradual despovoamento. Emídio Sousa considera que o investimento anunciado para Porto Carvoeiro irá potenciar não apenas a regeneração urbana, mas também “outros investimentos particulares na área do desenvolvimento turístico da zona”, já em estudo no âmbito do processo que definiu essa aldeia como uma Área de Regeneração Urbana à qual estão afetos benefícios fiscais específicos.