Foi descoberta um mutação genética que pode explicar alguns casos de síndrome de morte súbita em bebés, indica um estudo da Universidade de Washington publicado na revista científica Nature Communications. Segundo o relatório, essa mutação genética impede o organismo de digerir os lípidos do leite, o que interfere nas funções cardíacas e causa a paragem repentina do coração.

Hannele Ruohola-Baker, a bioquímica que liderou a investigação, explicou em comunicado de imprensa publicado no Science Daily que, nos casos em que as vítimas têm esta mutação, “uma autópsia não indica necessariamente porque é que a criança morreu”. “Não há cura para isto. Mas agora há esperança porque encontrámos um traço desta doença que vai inovar as geração de pequenas moléculas e proteínas, que podem ajudar os pacientes no futuro”.

Os cientistas chamam a esta mutação uma “deficiência da proteína mitocondrial tri-funcional”. É um palavrão que designa como as células cardíacas destas crianças não conseguem converter os lípidos em nutrientes. À conta disso, os lípidos ficam por processar e atrapalham as funções do coração. É possível encontrar esta mutação através de testes, mas ainda não se sabe como corrigi-la ou ajudar as células a cumprir essa função.

No ano passado, outra equipa de cientistas tinha identificado um fator genético que podia conduzir à síndrome de morte súbita em bebés. Segundo a University College de London, uma mutação no gene SCN4A — que controla os músculos envolvidos na respiração — pode fazer com que esses músculos se tornem mais fracos. Perante uma situação de stress, as funções respiratórias do bebé podem entrar em falência.

De resto, os cientistas já tinham descoberto que os bebés prematuros, sobretudo os que têm um peso muito reduzido, são mais sensíveis a fatores ambientais como o fumo do tabaco, constipações, respiração obstruída; ou momentos em que a criança fica presa nos lençóis da cama ou entre peluches e brinquedos.

De acordo com a página da Sociedade Portuguesa de Pediatria, embora não se saiba a origem da síndrome de morte súbita, “numerosos estudos epidemiológicos evidenciam que a adopção de medidas práticas simples nos cuidados das crianças conduzem a uma queda importante da incidência” do problema. Em Portugal, no entanto, “a divulgação dos conhecimentos sobre morte súbita do lactente e a formação dos profissionais e pais nunca adquiriu a dimensão atingida noutros países da Europa onde foram realizadas campanhas alargadas”, queixa-se a sociedade.

Para evitar este problema, os bebés devem dormir sempre de costas, numa cama apropriada à idade (nunca na cama dos pais) e com a cabeça destapada. A temperatura do quarto deve rondar os 18ºC a 21ºC. E “dormir na cama com o bebé aumenta o risco de síndrome e o risco de asfixia”: “Este risco aumenta consideravelmente se os adultos que partilham a cama fumarem, estiverem muito cansados, se tomaram medicamentos calmantes ou se ingeriram bebidas alcoólicas”.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria também sublinha que “a chupeta pode reduzir o risco de morte súbita”: “Ofereça uma chucha ao bebé para dormir mas se ele a rejeitar não force. Se o bebé for amamentado, a chupeta não deve ser oferecida nas primeiras semanas de vida, pois pode prejudicar a adaptação de bebé à mama”.

E ressalva que, caso esteja acordado, o bebé pode estar noutras posições, nomeadamente de barriga para baixo, porque isso “fortalece os músculos do pescoço e das costas e contraria posições preferenciais da cabeça e a ocorrência de deformações”.