As primeiras assembleias de voto abriram às 07h00 em Moçambique (menos uma hora em Lisboa) para as sextas eleições gerais no país, sem registo de problemas e com o Presidente da República a ‘abrir’ a votação em Maputo.

Filipe Nyusi, Presidente da República que concorre a um segundo mandato, foi o primeiro a votar, acompanhado pela mulher, na Escola Secundária Josina Machel, em Maputo, e em direto na televisão pública. Nyusi fez votos para que o país “possa mostrar, mais uma vez, ao mundo e região” que apoia “a democracia”. “Vamos acreditar e vamos confiar”, sublinhou, com apelos à paz e a um dia sereno.

O chefe de Estado e candidato referiu ainda que estas são “as eleições mais observadas ao nível do pais” e, se calhar, “na região” austral africana. O número de observadores cresceu de cerca de 10 mil há cinco anos para mais de 40 mil. “A gestão não é fácil” para acomodar este crescimento, admitiu, mas significa que “as portas estão abertas” para todos, concluiu.

Enquanto o chefe de Estado votava em Maputo, Filipe Augusto, de 37 anos, fazia o mesmo, 800 quilómetros a norte, no bairro Chissui, Chimoio, Centro do país. “Cheguei às 6h00 [menos uma hora em Lisboa]. Vim votar para ver o meu país crescer e termos emprego“, disse à Lusa. As filas também já iam longas, mas serenas, na zona do pavilhão desportivo de Nampula, Norte do país, capital do maior círculo eleitoral.

Pelas 7h00, Gabriel Celestino, 38 anos, preparava-se para votar. “Venho votar porque só assim há mudanças, o nível de vida pode melhorar e o país ter boa imagem no estrangeiro”, referiu.

A votação vai decorrer em todo o país até às 18h00 (menos uma hora em Lisboa), sendo que cada mesa de voto só encerra quanto for atendida a última pessoa que àquela hora estiver na fila para votar. Haverá 20.162 mesas de voto em território moçambicano, mais 407 no estrangeiro.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique, Abdul Carimo, referiu que a primeira hora de votação nas eleições gerais desta terça-feira registou “muita participação”, sem “grandes problemas”.

A primeira impressão é de muita satisfação. Como estamos a testemunhar, as filas são enormes, significa que há muita participação e esperamos que assim seja até ao final do dia”, disse Abdul Carimo, em declarações aos jornalistas em Maputo.

Se os níveis de votação das primeiras horas se mantiverem, o índice de participação dos eleitores poderá ser “muito maior” que em eleições anteriores, antecipou. “Ainda não temos informação de grandes problemas, estamos a gerir todo o processo”, enfatizou.

Um total de 13,1 milhões de eleitores moçambicanos votam esta terça-feira para escolher o Presidente da República, 250 deputados do parlamento, dez governadores provinciais e respetivas assembleias. As sextas eleições gerais de Moçambique contam com quatro candidatos presidenciais e 26 partidos a concorrer às legislativas e provinciais, sendo que só os três partidos com assento parlamentar no país (Frelimo, Renamo e MDM) concorrem em todos os círculos eleitorais.