Um vídeo violento que mostra uma caricatura do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, a atacar, esfaquear e a disparar contra jornalistas, bonecos associados com órgãos como a CNN e o The New York Times e oponentes políticos (como Obama e Clinton), foi mostrado durante uma conferência organizada por apoiantes de Trump que aconteceu no próprio resort do Presidente, em Miami. A notícia foi dada pelo The New York Times, que obteve “imagens” do vídeo que, pelo seu caráter violento, está a causar polémica no país.

De acordo com relatos da estação britânica BBC e do jornal norte-americano The New York Times, o vídeo mostra um “falso Presidente Trump” num massacre dentro  da “igreja das fake news” — e foi exibido durante a conferência que decorreu no resort do político republicano. O evento foi organizado por um grupo de apoiantes de Donald Trump, intitulado “American Priority”, e tinha como oradores convidados o filho do Presidente, Donald Trump Jr., o governador da Florida, Ron De Santis, e a sua antiga porta-voz Sarah Huckabee Sanders.

Quer os oradores convidados — que integram o círculo próximo de Trump —, nomeadamente Sanders e uma pessoa próxima do filho de Donald Trump, quer a organização, garantiram não ter visto o vídeo durante o evento. A explicação para o desconhecimento é dada pelos responsáveis da conferência, que avançaram que o vídeo foi exibido “numa sala lateral”, que só foi visto pelos organizadores quando o The New York Times o enviou e que aparentemente faria parte de uma “exibição de memes“, meramente satírica.

Um apoiante de Trump e criador de vídeos virais, que assina com o nome MemeWorld, garantiu que este foi feito por um colaborador seu que assina com o nome TheGeeksTeam e recusou que este tivesse qualquer intenção de incitar à violência. A polémica estalou, contudo, com a Associação de Correspondentes da Casa Branca a declarar-se “horrorizada” e a dizer, através do seu Presidente Jonathan Karl, que “todos os americanos devem condenar esta representação de violência direcionada a jornalistas e aos oponentes políticos do Presidente”.

Já dissemos anteriormente ao Presidente que a sua retórica pode incitar à violência”, apontou ainda Jonathan Karl..

A Associação de Correspondentes da Casa Branca declarou-se ainda “horrorizada” com o vídeo e instou Donald Trump a condená-lo pessoalmente. O Presidente norte-americano não o fez, mas a sua secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, garantiu que Trump não viu as imagens mas “com base em tudo o que ouviu, condena-as veementemente”. Já o porta-voz da campanha de Trump às presidenciais norte-americanas de 2020, Tim Murtaugh, disse à BBC que a candidatura “não produziu o vídeo” e “não tolera violência”.

A plataforma de exibição de vídeos Youtube já defendeu a legalidade do vídeo, dizendo que este não viola as políticas e regras da plataforma (de oposição ao incitamento a violência) já que é “puramente ficional”. A expressão foi utilizada por um porta-voz da empresa à CNN.