O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável Portugal (BCSD) e redes empresariais de mais 23 países assumem hoje em Lisboa compromissos internacionais para reverter a perda de biodiversidade.

Os 24 conselhos empresariais assinam a “Declaração de Lisboa” para promover a biodiversidade. A declaração é um acordo internacional através do qual os conselhos empresariais se comprometem a trabalhar em conjunto com as suas empresas associadas a nível local para proteger, promover e restaurar a biodiversidade. Numa nota divulgada pelo BCSD salienta-se que os 24 países desafiam as empresas associadas de todo o mundo a “assinar a Declaração de Lisboa, proteger, promover e restaurar a biodiversidade”.

A “Declaração de Lisboa” surge no âmbito do encontro anual do “World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que começou na segunda-feira na capital portuguesa e que termina na quinta-feira. A WBCSD é uma organização global com mais de 200 empresas associadas e uma rede global de conselhos empresariais de mais de 60 países, que pretendem acelerar a transição para um mundo mais sustentável.

A ‘Lisbon Declaration’ é a promessa de diversos parceiros da Rede Global do WBCSD de todo o mundo que veem a oportunidade de tornar o ano de 2020 num ponto de viragem para a biodiversidade e para o reforço do papel que o capital natural deve ter em sociedades e economias verdadeiramente sustentáveis”, diz João Wengorovius Meneses, Secretário Geral do BCSD Portugal, citado num comunicado da organização.

O BCSD Portugal diz no comunicado que o próximo ano é “uma oportunidade crítica para deter a perda de biodiversidade e o declínio dos serviços de ecossistemas que suportam o bem-estar humano e a economia global”, pelo que, com outras organizações empresariais, planeia ações coletivas “para ultrapassar os desafios que a biodiversidade e os ecossistemas naturais enfrentam atualmente”.

Recordando estudos sobre a rápida perda de biodiversidade do planeta, o BCSD diz no comunicado que nos últimos 50 anos as populações de animais selvagens caíram 60%. E acrescenta que a perda massiva da natureza está a degradar os sistemas naturais que sustentam sociedades e economias, e que a taxa de degradação está a evoluir um a ritmo acelerado. A organização salienta que a degradação dos ecossistemas é um “risco sistémico insuperável” para as empresas e para a economia global, e garante que as empresas com visão de futuro “entendem que dependem de um mundo natural saudável”.

Entre os 24 países que desafiam empresas associadas em todo o mundo para o objetivo comum que se traduz na “Declaração de Lisboa” estão, além de Portugal, a Argentina, a Austrália, o Brasil, o Chile, a Colômbia, a Espanha, os Estados Unidos, a França, a Holanda, o México ou a Suíça, entre outros. Os 24 representam um total de 2.000 empresas e seis milhões de trabalhadores. Os signatários da Declaração de Lisboa passam também a integrar a coligação internacional “Business for Nature”, à qual pertencem organizações globais como o “World Economic Forum” (WEF) ou o “World Wildlife Fund” (WWF), colaborando na preparação da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP15), que se realiza na China em 2020. Na reunião de Lisboa deverá também ser assinado um Pacto de Mobilidade Empresarial para a Cidade de Lisboa, em parceria com o WBCSD, a Câmara Municipal e empresas.

O BCSD Portugal é uma associação sem fins lucrativos que junta e representa mais de 90 empresas de referência em Portugal, que se comprometem ativamente com a transição para a sustentabilidade. O volume de vendas dos associados representa 38% do PIB nacional, 65 mil milhões de euros em volume de negócios, e este grupo de empresas dá emprego a mais de 270 mil colaboradores. Em termos globais, as empresas da WBCSD dão trabalho a 19 milhões de pessoas.