O Barcelona foi uma das primeiras entidades oficiais a reagir às penas de prisão aplicadas aos políticos catalães pelo Supremo Tribunal espanhol. “Da mesma forma que a sentença de prisão preventiva não ajudou a resolver o conflito, a sentença de prisão efetiva também não o vai fazer, porque a prisão não é a solução (…) O Barcelona expressa todo o apoio e solidariedade às famílias daqueles que estão privados da sua liberdade”, declarou o clube, através de um comunicado oficial, onde confirmou novamente a posição de apoio ao movimento independentista e ao grupo de políticos que está sob alçada judicial.

A decisão do Supremo espanhol tem levado milhares de pessoas às ruas da Catalunha nos últimos dias, em protesto contra a prisão dos 12 políticos, e as “Marchas pela Liberdade” têm-se desdobrado por toda a região, com as autoridades a reagirem com cargas policiais e detenções. Esta quarta-feira, e tal como aconteceu em outubro de 2017 — na altura do referendo à independência –, o problema alargou-se de forma clara ao desporto e ao futebol. Se os jogos marcados para o fim de semana em território catalão foram cancelados já na segunda-feira (à exceção dos da liga espanhola), os da próxima jornada começam também a ser colocados em causa, já que a continuação das manifestações e dos protestos está agendada para a semana que começa segunda-feira, dia 21, e se estende até sábado e domingo, dias 26 e 27.

Para esse sábado, dia 26, está marcado no calendário da liga espanhola um Barcelona-Real Madrid, um dos jogos mais aguardados não só a nível interno como a nível europeu, entre os dois principais candidatos ao título nacional. Agendado para o Camp Nou, o recinto do Barcelona, o Clásico tem agora diversos pontos de interrogação devido aos tumultos que se antevêem desde já para esse dia e esse fim de semana. De forma a reagir e planear com antecedência, a Liga espanhola pediu durante a manhã desta quarta-feira à Federação que o encontro se realize, a título de exceção, em Madrid e no Santiago Bernabéu. Contudo, e ainda sem resposta oficial da Federação, os principais jornais desportivos adiantaram nas últimas horas que nenhum dos dois clubes está satisfeito com esta solução.

Do lado do Barcelona, o clube acredita que a situação vai atingir um pico de normalidade nos próximos dias e não aceita a mudança de estádio, acreditando que o panorama geral que se verificava na altura do referendo “foi pior” e que, há pouco mais de dois anos, foi somente tomada a decisão de jogar à porta fechada. Do lado do Real Madrid, os merengues defendem que uma mudança de recinto “alteraria a competição” e privilegiam a opção de adiar o encontro — ainda que, acima de tudo isso, prefiram jogar em Camp Nou e na data original. Este cenário obrigaria, provavelmente, a que a partida se realizasse a meio da semana, algo que deixaria desagradados os donos dos direitos televisivos — e que se pode também tornar um peão importante com que a Federação terá de jogar até tomar uma decisão.

Pormenores à parte, a verdade é que, e segundo o jornal Marca, a Federação espanhol foi apanhada de surpresa por esta solicitação imediata da Liga. Assim como os dois clubes, que têm até segunda-feira para apresentar à Federação os argumentos de parte a parte para evitar uma mudança de Camp Nou para o Santiago Bernabéu. A decisão final, porém, não está nas mãos nem do Barcelona nem do Real Madrid, que nada poderão fazer caso a alteração de estádio se confirme, mas sim do grupo de trabalho da Federação que vai analisar o caso. Ainda assim, tanto catalães como merengues reconheceram o clima tenso que se vive na Catalunha: o Barcelona já planeia uma viagem de 589 quilómetros de autocarro para Eibar, onde joga no sábado, caso a greve geral agendada para sexta-feira congele o aeroporto, e o Real Madrid já colocou em marcha os planos para reforçar a segurança no dia da deslocação a Camp Nou.