Um estudo que permite o tratamento de águas residuais com recurso a rochas vulcânicas, provenientes dos Açores, foi distinguido pela “única associação científica do mundo” dedicada às aplicações do ozono, anunciou esta quarta-feira a Universidade de Coimbra (UC).

A Associação Internacional de Ozono (International Ozone Association), “única associação científica do mundo dedicada às múltiplas aplicações do ozono”, distinguiu um estudo que propõe “diversas soluções inovadoras para tratamento de águas residuais com contaminantes emergentes, tendo por base o uso de ozono e a biofiltração, utilizando a ‘corbicula fluminea’”, revela a UC.

Os contaminantes emergentes, tais como fármacos, pesticidas, e produtos de higiene pessoal, entre outros, são compostos químicos bastante complexos, e os atuais métodos usados nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) não são eficazes na sua remoção”, afirma a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada esta quarta-feira à agência Lusa.

O método proposto pelo investigador João Gomes, do Departamento de Engenharia Química da FCTUC, recorre ao ozono fotocatalítico, ou seja, “ozono associado a um catalisador (que acelera as reações químicas) e luz”, explicita a Faculdade. Neste caso, o investigador utilizou vários catalisadores, entre os quais rochas vulcânicas provenientes dos Açores.

Caracterizámos as amostras das pedras e verificámos que apresentavam propriedades com grande potencial para, em conjunto com uma pequena quantidade de ozono, degradar contaminantes tóxicos que não são removidos eficazmente pelos processos convencionais de tratamento de água”, explica, citado pela FCTUC, João Gomes.

“Apesar de ser um gás fortemente oxidante e muito eficaz na degradação de poluentes químicos, o ozono é um gás caro”, reconhece o investigador. Os catalisadores permitem, no entanto, “reduzir a quantidade de ozono necessária à descontaminação, tornando o processo economicamente viável”, salienta João Gomes.

As várias experiências realizadas em laboratório com uma mistura de parabenos, compostos muito utilizados, por exemplo, em géis de banho e champôs, apresentaram resultados promissores.

“Na presença de catalisadores, com uma pequena quantidade de ozono, a concentração inicial de parabenos foi totalmente removida, ao contrário do que se verifica utilizando apenas ozono”, sublinha João Gomes. Provado o conceito e tendo já sido feita a aplicação em efluente real, o investigador vai agora otimizar o sistema à escala piloto, adianta a FCTUC.

Sobre a atribuição do prémio ‘Willy Masschelein Prize 2019’, o investigador, que realizou o estudo no âmbito do seu doutoramento, orientado pelos professores Rui Martins e Rosa Quinta Ferreira, afirma que “é uma honra imensa ver o trabalho reconhecido pela comunidade científica internacional”.

O prémio, sustenta João Gomes, “reconhece igualmente a qualidade da investigação desenvolvida no Departamento de Engenharia Química da UC”. O galardão vai ser entregue no dia 23 de outubro, em Nice (França), durante o IOA World Congress&Exhibition. Ao fundamentar a sua escolha, o júri do prémio destacou “a originalidade, novidade e importância da pesquisa, revelando conhecimentos sem precedentes para possíveis aplicações de ozono”, destaca a FCTUC.