A polícia moçambicana anunciou esta quarta-feira ter abatido a tiro uma pessoa que tentou fugir com a arma de um agente no distrito de Angoche, Norte do país, durante confrontos com uma multidão numa assembleia de voto, na terça-feira.

“Tivemos uma situação de perturbação da ordem pública onde um grupo de populares se rebelou contra a PRM”, referiu o porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Nampula, Zacarias Nacute, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

“A situação obrigou os colegas a alvejá-lo mortalmente quando se colocava em fuga”, acrescentou, em conferência de imprensa.

O anúncio de uma vítima mortal em Angoche segue-se à denúncia por duas organizações de observação moçambicanas de que uma pessoa foi morta e quatro ficaram feridas em confrontos com a polícia, na terça-feira, no distrito de Nancala-Porto, província na Província de Nampula – ocorrência que o porta-voz nacional da PRM disse esta quarta-feira desconhecer.

Os relatos de Angoche e Nacala são os mais graves após o encerramento das urnas em Moçambique, num processo em que, apesar de relatos de irregularidades e casos de violência, é classificado por autoridades e observadores como globalmente ordeiro.

Desde terça-feira, após o encerramento das urnas, decorre a contagem de votos nas 20.162 mesas em que os moçambicanos votaram para escolher o Presidente da República, 250 deputados do parlamento, dez governadores provinciais e respetivas assembleias.

A lei prevê que o anúncio oficial dos resultados seja feito pela CNE até dia 30, mas o apuramento de cada uma das 11 províncias deve ser conhecido dias antes.