“Asako I & 2”

Depois do soberbo “Happy Hour: Hora Feliz”, o japonês Ryûsuke Hamaguchi traz-nos a história da jovem Asako, que se apaixona em Osaka pelo jovem, belo e estouvado Baku. Um dia, ele some-se sem dizer uma palavra e deixa Asako devastada. Dois anos depois, Asako vive em Tóquio e trabalha num café, e conhece Ryôhei, que é igualzinho a Baku (ambos são interpretados pelo mesmo actor) mas tem uma personalidade no oposto da deste e é atento, responsável e trabalhador. Asako inicia uma vida em comum com Ryôhei, mas será que o ama por ele mesmo, ou pelo que nele lhe lembra Baku? E um dia, os sentimentos da rapariga vão ser dramaticamente testados. Hamaguchi filma esta história sobre os acasos, os insólitos e os dilemas do amor com muita reserva emocional, uma delicadeza de calígrafo e uma sensibilidade de electrocardiograma, sem julgar as personagens e condenar os erros que cometem, evitando espasmos melodramáticoss e tirando interpretações imaculadas a Erika Karata (Asako) e a Masahiro Higashide (Baku/Ryôhei).

“Na Praça Pública”

Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, seu parceiro argumentista, assentam arraiais, em “Na Praça Pública”, na festa de inauguração da casa de campo de uma produtora de televisão parisiense (Léa Drucker). Lá estão também um veterano apresentador televisivo (Bacri) cujo programa está a perder audiências e em risco de ser cancelado, a ex-mulher deste (Jaoui), ativista profissional, e toda uma fauna de familiares, namorados, amantes, celebridades feitas “online”, vizinhos, sicofantas e criados, que se vão cruzar, simpatizar ou confrontar. Os alvos de Jaoui e Bacri nesta comédia “coral” são os parisienses presunçosos, as figuras do mundo mediático-artístico, os pequenos “famosos” da Net e as redes sociais e a devastação que vieram provocar nas relações humanas e no entendimento do que é público e do que é privado, embora “Na Praça Pública” seja, como conto moral dobrado de sátira, mais superficial, menos mordaz e tenha menos octanas cómicas do que aquilo a que nos habituaram os autores de “O Gosto dos Outros” e “Deixa Chover”.

“Mutant Blast”

O título é inglês mas o filme é português, e de um género completamente alheio ao cinema nacional: a ficção científica série Z, departamento filme “trash” de apocalipse zombie, feito em estilo de “pastiche”. Fernando Alle, que tem no seu currículo um punhado de curtas-metragens, assina, com a participação da Troma na produção, esta fita servida por um micro-orçamento e que sabe perfeitamente que nós sabemos que não se leva muito a sério (mal seria se levasse). “Mutant Blast” tem uma história tão zombie como os propriamente ditos, efeitos especiais precários, um elenco onde abunda muito mais a boa vontade do que o talento e um sentido de humor negro. que se manifesta com mais sucesso em tudo que diga respeito a mutações (ou o filme não se chamasse como chama). Ver a mão-rato, o golfinho belicoso que se passeia por terra e sobretudo a lagosta gigante francesa que responde pelo nome de Jean-Pierre — e não pode ver golfinhos à frente.

“Maléfica: Mestre do Mal”

Angelina Jolie volta a interpretar a versão revisionista da fada Maléfica de “A Bela Adormecida”, nesta continuação do filme de 2014 da Disney, e que tem na sua origem a animação clássica de 1959. Em “Maléfica: Mestre do Mal”, realizado pelo norueguês Joachim Ronning (“Kon Tiki-A Viagem Impossível”), o príncipe Phillip (Harris Dickinson) pede Aurora (Elle Fanning), a afilhada de Maléfica, em casamento, ao que ela aceita. Mas a verdadeira vilã do filme, a rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer), mãe de Phillip, vai aproveitar-se do matrimónio para tecer uma intriga que ameaça desencadear uma guerra que dividirá para sempre o mundo dos humanos e o mundo das fadas. E Maléfica e Aurora vão encontrar-se em lados opostos do conflito, que poderá estalar a qualquer momento. “Maléfica: Mestre do Mal” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.