O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve nesta sexta-feira a previsão de crescimento das economias da África subsaariana nos 3,2% do PIB este ano, prevendo depois uma ligeira aceleração para 3,6% no próximo ano.

“Esta retoma do crescimento será mais lenta do que o anteriormente previsto devido, em parte, ao ambiente externo mais difícil”, escrevem os economistas do FMI nas ‘Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsariana’, esta sexta-feira divulgadas no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que decorrem em Washington.

No documento, o FMI alerta que as perspetivas variam muito de país para país, principalmente entre os países ricos em recursos naturais, cujo crescimento deverá ser de 2,5%, em média, e dos outros, que deverão registar expansões na ordem dos 6%.

“À semelhança das perspetivas mundiais, a região enfrenta riscos em sentido descendente elevados”, comentou o diretor do departamento africano do FMI, Abebe Aemro Selassie, acrescentando que “as perturbações externas intensificaram-se, conforme demonstrado pelo acentuado abrandamento do crescimento das exportações”. A nível interno, continuou, “as incertezas de política continuam a conter o investimento nas maiores economias da região”.

Por outro lado, “embora o peso da dívida média esteja a estabilizar, as elevadas vulnerabilidades da dívida pública e as baixas reservas externas vão continuar a limitar o espaço de política em vários países”, salientou.

O FMI recomenda, por isso, três vetores de atuação para os governos “para reduzir os riscos e promover o crescimento sustentado e inclusivo”, a começar pela política monetária.

Depois, estes países devem “continuar a criar resiliência, tanto aos choques económicos como aos desastres cada vez mais frequentes relacionados com o clima e aos desafios acrescidos em matéria de segurança, o que requer a melhoria dos quadros de política macroeconómica, a promoção da diversificação económica e o reforço dos setores financeiros”.

Por último, recomenda o FMI, é preciso aumentar o crescimento no médio prazo para criar emprego para a força de trabalho em expansão”, o que se faz através da implementação de “reformas estruturais para fomentar o investimento e a competitividade, abordando de forma abrangente as barreiras tarifárias e não tarifárias no contexto da zona de livre comércio africana”.