A Jerónimo Martins está a “analisar de forma cabal” a carta do regulador polaco, que está a investigar os preços da Biedronka, salientando que o grupo tem “uma preocupação grande com o rigor”, disse hoje à Lusa fonte oficial.

O regulador polaco UOKik anunciou esta sexta-feira que está a investigar preços da Biedronka, cadeia de supermercados da Jerónimo Martins na Polónia, por alegadamente existirem produtos que são mais caros na caixa do que nas prateleiras. “Estamos a analisar de forma cabal a carta da UOKiK”, afirmou fonte oficial da Jerónimo Martins.

“Sublinhamos, no entanto, que, tendo em conta a escala de operações da Biedronka — mais de 2.900 lojas, mais de 67.000 colaboradores, que servem diariamente cerca de quatro milhões de clientes, num total de mais de 1,3 mil milhões de transações anuais —, há sempre a possibilidade de, por erro humano, faltarem alguns preços ou estarem mal colocados”, prosseguiu.

“Temos uma preocupação grande com o rigor dos preços na gestão das operações e, ao mesmo tempo, asseguramos que os procedimentos da Biedronka estão definidos de acordo com a legislação, que determina que, em caso de diferença entre o preço na prateleira e o preço na caixa de ‘check-out’, os clientes têm sempre o direito de comprar o produto pelo preço mais baixo ou de serem reembolsados da diferença”, afirmou.

Mais caros na caixa do que o indicado no preço colocado junto dos produtos e falta de informação sobre o preço junto do produto na prateleira são as alegações referidas pelo regulador da concorrência e da defesa do consumidor relativamente à Jerónimo Martins Polska (detentora da Biedronka) que constam no ‘site’ da UOKiK. A multa pode ascender até 10% do volume de negócios.

“Tivemos muitos sinais de todo o país sobre irregularidades no fornecimento de preços nas cadeia de lojas Biedronka. Foram relatados pelos consumidores e pelas inspeções”, refere o presidente da UOKiK, Marek Niechchial, citado na informação disponível no ‘site’.

“Não pode acontecer que o cliente veja um preço atrativo no produto e, depois de ver o recibo, verificar que pagou mais. Essa pode ser uma prática injusta”, acrescentou. Na informação divulgada esta sexta-feira, a UOKiK dá exemplos das queixas recebidas relativamente ao preço dos produtos: ‘ketchup’ que custava 2,79 zloty depois do desconto registou um preço na caixa, na altura do pagamento, de 3,49. Outro dos exemplos é o relativo a um quilograma de tomates, que custou 3,99 zloty, quando na prateleira estava indicado por 1,85.

Desde 1 de janeiro até 30 de setembro deste ano, a inspeção comercial recebeu mais de 230 queixas sobre incorreções nos preços da cadeia Biedronka, na sua maioria sobre diferenças entre o valor inscrito nas prateleiras e o montante a pagar na caixa e a falta de informação sobre preços junto aos produtos, refere o regulador.

Os inspetores “também confirmaram” esta situação aquando das inspeções. “Por exemplo, em nove meses, detetaram que em 123 casos os preços estavam em falta na Biedronka, e que em 25 dos casos havia diferenças” entre o preço inscrito na prateleira e o indicado no pagamento, acrescentou.

Em setembro, a Jerónimo Martins confirmou que tinha sido alvo da abertura de um processo pelo mesmo regulador na Polónia por suspeitas de práticas comerciais ilegais na relação com fornecedores de fruta e vegetais.