A oposição venezuelana considerou na quinta-feira “incoerente” que a Venezuela tenha sido eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, porque o regime está a ser investigado por “violações dos Direitos Humanos e crimes que lesam a humanidade”.

“Como é que um regime que está a ser investigado por violar direitos humanos pode aceder a um espaço de defesa dos direitos humanos e onde uma outra ditadura, a cubana, ocupa um lugar?”, questionou o líder da oposição e presidente do parlamento perante os jornalistas.

Segundo Juan Guaidó, o lugar que a Venezuela passa a ocupar “está machado de sangue”.

Aí estão as contradições, substituíram uma ditadura (Cuba) por outra”, disse Guaidó, que agradeceu à Costa Rica por se ter candidatado para ocupar um lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU e assim tentar evitar a entrada da Venezuela.

Durante uma conferência de imprensa em Caracas, o líder da oposição afirmou que a ONU perdeu credibilidade e recordou que a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, elaborou recentemente um relatório que registou a existência de “extermínios em setores populares” e que a Human Right Watch tem registados 18 mil assassinatos extrajudiciais.

Os deputados opositores Richard Blanco e Carlos Bastardo também questionaram a decisão, que dizem ser uma “bofetada à diplomacia” e apelaram aos venezuelanos a que manifestem o seu inconformismo.

Temos visto os nossos Direitos Humanos violados. Não fiques calado perante esta irregularidade. Os assassinos devem ir presos, nunca podem ser premiados. A ajuda internacional urgente é a única saída. Levanta a tua voz”, escreveu Richard Blanco na sua conta do Twitter.

Segundo Carlos Bastardo, “o que aconteceu hoje [quinta-feira] na ONU é uma verdadeira vergonha, uma bofetada à diplomacia (…), aos venezuelanos que lutam pela liberdade”. “Permitir que o regime se sente no Conselho de Direitos Humanos é celebrar que o socialismo assassine na Venezuela”, escreveu no Twitter.

Também o advogado Gonzalo Himiob, do Foro Penal Venezuelano, condenou o que atribui ao facto de muitos países se mexerem “mais pelos seus próprios interesses que pela humanidade”. “Esta votação prova que os venezuelanos ainda temos muito trabalho pendente, para que conheçam mais e melhor a nossa dura realidade”, escreveu no Twitter.

Por outro lado, Humberto Prado, do Observatório Venezuelano de Prisões, condenou a candidatura do regime de Nicolás Maduro, por “não reunir nem as condições (…) necessárias”. “O regime tem-se caracterizado por violar os Direitos Humanos. Está envolvido em desaparições, torturas, tratos cruéis, degradantes e desumanos. Os relatórios de organizações que defendem os direitos humanos ratificam a violação sistemática dos Direitos Humanos na Venezuela”, disse aos jornalistas.

Segundo Humberto Prado, a eleição representa “um grave erro e uma tragédia”.

A Venezuela conseguiu na quinta-feira, apesar das críticas de alguns países e de organizações não-governamentais (ONG), um lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU, após uma votação realizada na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Governo do Presidente venezuelano Nicolás Maduro congratulou-se com a eleição que diz significar “uma vitória da diplomacia bolivariana de paz”. “Informamos e celebramos uma nova vitória para a diplomacia bolivariana de paz”, disse o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza.

Caracas assumirá o lugar a 1 de janeiro de 2020, em substituição de Cuba, que termina o seu mandato.