Artur Carvalho, o médico obstetra que não identificou malformações graves no rosto e no cérebro de um bebé em Setúbal, vai ser chamado a prestar esclarecimentos com urgência ao Conselho Disciplinar da Zona Sul da Ordem dos Médicos, de acordo com o Público e a agência Lusa.

No entanto, não é o caso que agora criou polémica que vai ser analisado. O médico que realiza ecografias na clínica Ecosado, em Setúbal, tem contra ele outros cinco processos a correr, desde 2013, 2014, 2015, 2017 e um outro já deste ano, sem que haja conclusões. E outros quatro processos já foram arquivados.

“Vamos apreciar, com carácter de urgência, os cinco processos pendentes na terça-feira, mas não vamos apreciar este último caso [do bebé de Setúbal que nasceu com malformações], porque ainda não nos chegou nada. E não podemos avaliar e decidir com base naquilo que ouvimos na comunicação social”, disse Carlos Pereira Alves, presidente do Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos, à agência Lusa. Carlos Pereira Alves não oferece explicações para todos esses casos, lembrando sigilo dos processos em curso, segundo o Público.

Em causa está a provável suspensão preventiva do médico. O presidente do órgão que decide sobre processos disciplinares adianta ao Público que esse é o cenário “mais possível”, embora ressalve que terá de haver uma decisão conjunta dos membros do Conselho Disciplinar.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, já tinha referido que “dada a potencial gravidade da situação, justifica-se a imediata inquirição do médico para determinar se se verificam pressupostos para suspensão preventiva”.