O novo romance de Chico Buarque, Essa Gente, vai ser publicado em simultâneo no Brasil e em Portugal a 14 de novembro, revelou este sábado Clara Capitão, editora da Companhia das Letras, em Óbidos, onde decorre até domingo o festival literário FOLIO.

Essa Gente é o sexto romance do escritor e compositor brasileiro, vencedor do Prémio Camões em 2019. “Uma engenhosa trama, cujas entrelinhas revelam as contradições do Brasil de agora”, o livro conta a história de Manuel Duarte, “um escritor decadente” que enfrenta uma crise amorosa e financeira enquanto a cidade do Rio de Janeiro “colapsa à sua volta”, resumiu a Companhia das Letras.

Segundo a editora brasileira, que está presente em Portugal, existem “pontos de contacto entre Chico Buarque e o protagonista de Essa Gente“. Além de ser escritor, Manuel Duarte tem esse sobrenome de perfil vocálico idêntico e gosta de bater perna atrás de inspiração nos arredores do Leblon, onde voltou a morar após o fim de seu último casamento”, refere a sinopse disponibilizada.

Escritor, compositor e cantor, Chico Buarque, de 74 anos, é um dos grandes nomes das letras e da música brasileira. Distinguido duas vezes com o Jabuti, o mais importante prémio literário brasileiro, venceu este ano o Prémio Camões. A atribuição está envolta em polémica depois de o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ter sugeriu que poderia não assinar o diploma ao dizer que o faria “até 31 de dezembro de 2026”, data do final de um eventual segundo mandato presidencial. Na reação às declarações do governante, Buarque disse que a não assinatura do documento por Bolsonaro seria como receber um segundo Camões.

O escritor moçambicano Mia Couto, que venceu o mesmo prémio em 2013, mostrou vontade de encabeçar uma ação de oposição com outros galardoados, mas acabou por desistir da ideia depois de ser contactado pelo próprio Chico Buarque. Em entrevista ao Observador, contou ter recebido “uma mensagem vinda indiretamente do Chico, dizendo “é melhor que ele nem assine, portanto, ninguém faça pressão para isso”. Tem toda a lógica”, explicando que acabou por deixar a iniciativa cair por terra.

O Observador viajou até Óbidos ao convite do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos