Ninguém, como os noruegueses, reclama para si uma moral superior no que respeita às preocupações com o ambiente e a uma sociedade com um reduzido nível de emissões de CO2, em grande parte graças ao recurso à mais elevada percentagem de veículos eléctricos no mundo e à produção de energia através de fontes renováveis. Mesmo se todo o esforço financeiro só foi possível por ser pago pelas exportações de petróleo, que o próprio Estado retira do fundo do Mar do Norte, para ser queimado pelos países vizinhos, o que não deixa de ser uma curiosa forma de “país verde”.

Mas esta incoerência não anula o facto de a Noruega ser o país mais avançado do planeta em matéria de electrificação, qualidade e número da rede de postos de carga e paixão pelas incursões pela natureza, idealmente recorrendo a rulotes. E faz deles os especialistas talhados para nos ajudar a perceber se os automóveis eléctricos são capazes de rebocar e qual o melhor.

A associação norueguesa de veículos eléctricos, escolheu os três maiores e mais potentes SUV alimentados por bateria e atrás de cada um deles colocou uma rulote de dimensão média, com um peso de 1.160 kg, um valor que é também equivalente a reboques de embarcações entre 6 e 7 metros. E para que o teste fosse representativo, o percurso escolhido incluía um razoável número de subidas e descidas, além de 1.381 km, o que obrigou a várias paragens para recarga ao longo dos três dias do “passeio”.

Os modelos escolhidos foram o Tesla Model X Long Range, o mais popular no país, mas igualmente o mais caro, a que se juntaram o Audi e-tron 55 quattro e o Mercedes EQC 400. Para quem notar a ausência do Jaguar I-Pace, cuja autonomia é superior à dos rivais alemães, tal fica-se a dever ao facto da marca não ter homologado a capacidade de reboque para o SUV britânico (na fotogaleria), como o próprio Ian Collun explica, ele que dirigiu o design da Jaguar até à sua saída, em Julho deste ano.

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A maior capacidade de carga pertence ao Tesla (com 2.267 kg), contra 1.800 kg para o Audi e o Mercedes, com o carro americano a ser igualmente o mais caro, com os preços-base a serem de 846 mil coroas norueguesas para o Model X (cerca de 80.620€), 652 mil coroas para o Audi (62.117€) e 616 mil corroas para o Mercedes (58.773€). Mas, como é habitual, os modelos alemães tendem a ver o seu preço aumentar consideravelmente com a adopção dos opcionais que muitos condutores acham imprescindíveis, o que segundo os noruegueses eleva os preços das versões ensaiadas para 81 mil euros para o Tesla e 69 mil euros para o Mercedes, com o Audi a não exibir o preço da versão utilizada no teste.

No final da prova – pode ver todos os pormenores do comparativo levado a cabo pela associação na publicação original norueguesa aqui –, foi o maior e o mais pesado Tesla Model X que revelou o melhor consumo, atingindo 27,9 kWh/100 km, contra 30,6 kWh/100 km para o Mercedes e 35,3 kWh/100 km para o Audi. Este valor mais elevado deverá ficar-se a dever ao facto do e-tron 55 ser aqui o modelo menos potente, com 360 cv, dado que a função boost, que eleva a potência para 408 cv durante 8 segundos, serve para melhorar o arranque, mas não o esforço a rebocar.

Concluíram os noruegueses que o Model X é o melhor para rebocar, sendo capaz de atingir 300 km de autonomia em condições ideais, enquanto os seus dois adversários apontam para um valor entre 230 e 240 km nas mesmas condições. Valores que facilmente se vêem reduzidos, caso o perfil do terreno se torne menos favorável.